Lixo eletrônico, o que fazer com ele?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Números são alarmantes e as soluções não acompanham o crescimento tecnológico

Alessandra Sabbag

Por Alessandra Sabbag

Que a tecnologia traz muitos benefícios ninguém duvida. Mas o que fazer com ela depois de sua vida útil, que pode prejudicar a natureza e o ambiente que vivemos? O lixo eletrônico é hoje uma dentre as principais preocupações dos ambientalistas. E para piorar a situação, a velocidade da solução do problema não é a mesma do avanço tecnológico.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), são descartados anualmente 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico no mundo inteiro. O que torna as coisas ainda mais complicadas é a rapidez da renovação tecnológica – hoje, qualquer aparelho eletroeletrônico fica obsoleto em dois anos. São computadores, impressoras, celulares, televisores. Neste último caso, com a chegada do HDTV,  muitos destes aparelhos serão descartados em breve.  A Microsoft, por exemplo, renova 100% de seus computadores de três em três anos.

Para ajudar a minimizar a questão, o CCE (Centro de Computação Eletrônica) da USP fundou o projeto CEDIR (Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática), que recolhe doações desses aparelhos e os encaminha para a reciclagem. “Aqui tudo é aproveitado por inteiro, separamos diversos materiais e vendemos para as empresas, que trabalham com um único tipo de material. Não temos lucro algum, pois temos que mandar para a recicladora, temos mão de obra e tudo tem um custo”, afirma Tereza Cristina Carvalho, diretora e professora do CEDIR.

Um notebook possui 31% de plástico, 20% de metais (alumínio, cobre, ouro e prata), 18% de vidro, 12% de ferro, 11% de cabos e 8% de placas. Já um Desktop contém 68% de ferro, 12% de placas, 8% de plásticos, 5% de alumínio, fios e cabos e 2% de inox. A Secretaria do Meio Ambiente diz que esses metais precisam de 500 anos para serem absorvidos na natureza, além de serem tóxicos. “Todas as substâncias tóxicas causam problemas de saúde, respiratórias e cancerígenas. Se um aparelho toma chuva, essas substâncias vão para o lençol freático, que depois vai para o mar e a água que bebemos e estamos em contato”, conta Tereza.

As possíveis soluções

A Política Nacional de Resíduos Sólidos demorou 21 anos para ser aprovada e entrará em vigor no próximo mês. Os fabricantes, comerciantes ou importadoras deverão reciclar ou reutilizar, total ou parcialmente, o material descartado para o benefício do Meio Ambiente. “As empresas fizeram pressão, porque elas acham que vão ter um custo e que não vão poder arcar com ele”, diz a diretora.

Alguns aderiram antes da aprovação da lei, como a AOC, a Phillips, Lexmark, HP e Dell (o pedido pode ser feito pelo site e eles pegam em casa). Certa vez, um grupo de crianças do bairro do Itaim em São Paulo fez uma visita ao CEDIR. “Todas elas tinham um BlackBerry. A minha filha pequena já teve quatro celulares. É a banalização das compras” , esclarece Neuci Biocov Frade, especialista em gestão ambiental.

Na Europa já existe uma diretiva denominada RoHS, traduzido como Restrição de Certas Substâncias Perigosas, que proíbe o uso do cádmio, mercúrio, níquel e chumbo nos processos de fabricação do produto. A Tabo Computadores utiliza a tecnologia PFC (Power Factor Correction) que dispensa o uso de estabilizador e liga o PC direto na tomada, evitando sobrecargas, filtrando impurezas, além de economizar energia e melhorar o desempenho do computador. O rendimento é de 80% e a máquina só produz 20% de calor, ou seja, não necessita de um sistema de refrigeração.

Apesar de ter o mesmo preço dos computadores comuns, outra saída são os chamados Microverdes, PCs que não contém substâncias tóxicas, obedecem às normas ISO e possuem um sistema de economia de energia. Mas infelizmente, estes micros ainda não estão no mercado. Muitas pessoas nem sequer sabem da existência do CEDIR e de como a situação é complicada. “Falta informação. O papel da mídia de divulgar é importante, porque as pessoas nos procuram” afirma Tereza.

Futuramente o CEDIR fará um curso de 360 horas para jovens carentes de 17 a 20 anos, com direito a vale transporte, vale refeição, uma bolsa de estudos. O objetivo é ensiná-los sobre o lixo eletrônico, estagiar no Centro e incluí-lo no mercado de trabalho. “O mais importante é começar pela educação nas escolas. Se iniciar na base e se ensinar quem convive com tudo isso que são os jovens”, conta Neuci.

Somente pessoas físicas podem entrar em contato com o CEDIR. Para mais informações: 3091-8237 / 3091-6454 ou cedir.cce@usp.br

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