Crítica: Mistborn: Nascidos da Bruma

quarta-feira, 14 de junho de 2017
Sanderson continua com a narrativa afiada mas coloca seus primeiros erros em ação na trilogia



Brandon Sanderson é, talvez, um dos autores que mais causam euforia nos grupos de leitura. Ele deve ser um dos grandes nomes da fantasia atual que vai perdurar alguns bons anos na memória dos leitores, e não é para menos. Após o lançamento do volume único de Elantris (que você pode conferir a crítica neste link), é pouco viciante para quem lê, querer continuar com a mesma qualidade de narrativa em suas próximas aventuras. Com uma proposta diferenciada, porém ainda no cenário da fantasia, a série Mistborn: Nascidos da Bruma tem muito ainda que nos surpreender.

De seu primeiro volume, O Imperial Final, ao último, O Herói das Eras, os cenários continuam os mesmos fisicamente, mas o enredo inteiro se transforma – o que dá uma idéia de cronologia um pouco diferente do que ocorre, na verdade. A impressão é que se passaram décadas entre um e outro, e não apenas um ano ou dois. Mas isto é apenas uma sensação. O Império Final traz como protagonista uma personagem feminina, Vin, que quebra todos os esteriótipos de donzela, princesa ou mais recentemente, de damas inteligentes e manipuladoras. Vin é simples: uma criança que cresceu entre ladrões, se precavendo do universo masculino, da nobreza, da confiança e da amizade. Porém, ela se descobre ser uma Nascida das Brumas, um dos pouquíssimos alomanticos com o poder de controlar todos os metais - assim como Kelsier, o líder da rebelião ska (digamos, os pobres) que luta contra a nobreza e o sistema criado pelo Senhor Soberano.  Mistborn é, portanto, pura lógica e magia. Em meio a todo este processo, há Elend Venture, filho de um nobre e herdeiro de uma das Casas mais influentes do Império, que é justamente o contrário de Vin no quesito de “quebra de esteriótipos): um grande cavalheiro, inteligente, charmoso, bonito, justo e bom.

Como o objetivo aqui não é dar spoilers, é preciso seguir sem contar nada que possa estragar a história para o leitor. Se você espera pelo óbvio, esqueça. Mistborn é cheio de “pegadinhas” que te jogam a outros pensamentos, afastando-o do verdadeiro fim. São diversos personagens e raças que possuem suas próprias histórias para contar e Sanderson consegue fazer com que todas elas se choquem em um final impressionante. Mas veja bem, impressionante não quer dizer excepcionalmente bom. A partir do segundo volume, O Poço da Ascensão, o autor começa a ditar o ritmo onde a magia é importante, mas a religião é quem comandará a série como um todo. Personagens chatos que poderiam muito bem nunca terem existido, estão ali. Outros tão bons parecem perdidos em um ar carregado de falsos cenários políticos e lutas. E apesar das coisas começarem a se encaixar, a mente do leitor divaga um pouco, acreditando que sua idéia original seria um final melhor, embora mais previsível.

Mistborn deixa claro que uma boa história com personagens mal desenvolvidos ou escritos podem ser um grande problema. Afinal, o que fazer quando você, leitor, acredita que apesar desses problemas o fim será muito, mas muito *demais*, e chega ao fim e diz: “Ah, nossa! Legal, mas precisava ser assim mesmo?”. Brandon Sanderson se empolgou muito e perdeu a mão na hora de encerrar a sua série com chave de ouro. Há opiniões diferentes, é claro. Muitos adoraram, outros nem tanto.

De fato, ele consegue entregar todas as pontas soltas dos três volumes, muito bem amarradas e acredito que, assim como no meu caso, o final te fará refletir em inúmeras outras coisas: religião, criação, universo, vida, morte, conhecimento, ignorância, poder, e sinônimos de tudo isso que nem sempre querem dizer a mesma coisa. Mistborn é bom? Sim. Vale a leitura? Claro. Mas ainda falta a mesma “sensibilidade” e o toque sutil aos personagens que foram tão bem criados em Elantris

Presente criativo para fãs de Game Of Thrones

sábado, 7 de janeiro de 2017
Depois de alguns anos de relacionamento, fica cada vez mais difícil você ter ideia de um presente criativo para aquela pessoa especial. Após várias pesquisas na internet, encontrei algo muito interessante: um kit Game Of Thrones totalmente personalizado. Para quem é fã da série, este é um presente incrível, mas tive que fazer algumas adaptações. A caixa original era para o Dia dos Namorados e consistia em ter pipoca e refrigerante, além de doces. Como queria preparar algo para o Natal e também algumas coisas mais especiais, substitui a pipoca e o refrigerante por roupas com a temática da série. 
O mais interessante no entanto, são os doces, que você pode colocar dentro de saquinhos personalizados com as Casas da série - cada um representado por um doce. Veja como preparei o meu kit e tudo o que você vai precisar para fazer o seu.

Escolhi cinco Casas, sendo que uma foi a minha própria - Lannister, Stark, Tyrell, Targaryen e Sabbag (a minha), com os seus devidos brasões (a da minha foi uma foto do nosso cachorro, Chewie). E escolhi doces que representassem estas Casas: moedas de ouro de chocolate para os Lannisters, garrafinhas de licor para os Starks, Fini (aqueles docinhos coloridos, tipo minhoca) para os Tyrell, 3 Kinder Ovo para os Targaryen, e pirulito de coração para a minha própria Casa. Peguei os brasões, baixei a fonte da série no meu computador e fiz uma montagem, no word mesmo, com fundo preto. Compre os doces, coloque nos saquinhos, recorte a impressão de forma que fique no tamanho ideal para fechar os sacos e feche com a fita dupla face. 

Então, para esta etapa, você precisará de: Criar a arte, imprimir em um papel mais duro,  tipo cartão, mas que seja maleável para dobrar; 5 saquinhos plásticos e fita dupla face.

Depois, fui ao shopping e comprei uma camiseta com o símbolo da Casa Stark e o escrito "Winter is comming" e como complemento, uma bermuda azul marinho. Dobrei e coloquei ambas no fundo da caixa de presente e com os saquinhos de doce em cima delas. 

Aqui você precisará de: caixa de presente média ou que caibam as peças de roupa dobrada.

Para finalizar pegue um papel celofane transparente para embrulhar, um laço maravilhoso e para dar o toque final, faça mais uma impressão de fundo preto com os dizeres "King of my heart", com a fonte da série, e passe com uma fita em volta do embrulho, de forma que fique bem de frente junto com o laço. 

Como você pode ver pelas fotos, é lindo, é criativo e ideal para dar de presente para quem você ama e é fã de Game Of Thrones! 

Kit pronto

Saquinho de doces finalizado representando as Casas escolhidas
Camiseta e bermuda dobradas na caixa de presente junto dos doces

Finish!
Está com dúvidas? É só comentar aqui que eu respondo! Mãos à obra!

Como saber se estou humanizando o meu animal?

terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Você já deve ter tido esta dúvida, com certeza. Cães com comportamentos estranhos, como agressividade, lambedura excessiva, agitação, ansiedade ou até mesmo ser muito apegado ao dono, podem ser sinais que de você está fazendo algo errado com seu animalzinho. E nós sempre nos preocupamos muito com eles, não é verdade?


Fiz uma matéria especial sobre este tema com a Dra. Livia Romeiro, veterinária e especialista em comportamento animal, da Vet Quality Centro Veterinário. Listei algumas atitudes que vejo em muitos grupos de animais no facebook e pedi à especialista que comentasse sobre este comportamento humano com relação aos bichinhos. Veja abaixo as respostas dela e fique atento ao que você está fazendo com ele:

Se você faz...
...Festa de aniversário: é uma forma de humanizar, mas é um dos menores desencadeantes de problemas comportamentais. Até porque só ocorre uma vez ao ano, e na verdade pode até ser uma boa forma de socializar o animal a outros da sua espécie.
...Dar chupeta: Humanização extrema. Nenhum animal, nem mesmo nós humanos necessitamos do estímulo da sucção fora do período de aleitamento. Isso pode gerar dependência psicológica ao animal, além de ser um grande risco para a ingestão de corpo estranho (o bico da chupeta) podendo levar o animal a um quadro obstrutivo onde será necessária cirurgia para retirada do mesmo.
...Falar com voz de criança e tratar como um bebê: não chega a ser uma humanização, pois para o cão esta é forma de comunicação que ele conhece daquela determinada pessoa. Ele entende como se ela só falasse assim. Mostra um certo grau de inferioridade para os cães pois sons mais agudos são entendidos como certa fraqueza, perto de sons graves e mais confiantes.
...Preocupação excessiva com o animal  (questionando sempre se ele está com o peso ideal, se isso ou aquilo é normal, etc): este zelo com a saúde não pode ser caracterizada como humanização a não ser que o proprietário comece a compara as próprias doenças com o cão Por exemplo, levar o animal ao veterinário para ver se ele tem bronquite pois o dono também tem e acredita que o cão realiza determinada reação igual a ela, logo tem a mesma doença. Ou por ser diabética, aplica a mesma dieta ao cão, pois acredita que ele seja diabético também.
 ...Carregar o animal no colo mesmo quando não é necessário: forte característica de humanização e bem prejudicial ao comportamento canino e felino.  
...Fazer uma decoração especial no cantinho onde ele dorme: não impacta muito no animal desde que o limite de conforto dele não seja afetado. Espaços muito enfeitados se tornam muito estimulantes para um gato que necessita apenas de uma toca escurinha e confortável para dormir.
...Ter um carrinho de bebê para levá-lo ao passeio: humanização, da mesma forma como levar o cão no colo mesmo quando não é necessário.
 
Você pode conferir a matéria completa, com outras perguntas sobre saúde animal no meu site: http://www.etamundobom.net.br/2016/09/como-saber-se-voce-esta-humanizando-o.html

Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam


 Apesar de derivar de Harry Potter, mundo mágico retorna às telas de um modo diferente e mostra independência 




Fazer uma crítica ou resenha de Animais Fantásticos e Onde Habitam não é uma tarefa fácil para alguém que acompanhou e leu toda a história de Harry Potter. O mesmo vale para todos os envolvidos na produção. Levar o legado do bruxo mais famoso do mundo é como carregar um fardo: não pode ser igual, pois faltará a originalidade; não pode ser diferente, pois se trata do mesmo mundo; e ainda correr o enorme risco de um grande fiasco. O desafio era, portanto, gigantesco.

Um desafio que na verdade parece mágica nas mãos de J.K. Rowling. Se você vai ao cinema assistir Animais Fantásticos e espera ali encontrar uma pontinha de “Harry Potter”, esqueça. Claro, há referências, objetos, nomes – mas, definitivamente, não estamos vivendo a mesma coisa. E isto é o que há de mais fantástico, pois acabamos entrando em um novo mundo bruxo, onde não sabemos o que vai acontecer ou quem são aqueles personagens. Apesar de existir a base, para qualquer um, fã de Harry Potter ou não, isto é novo. Não há como deixar de se impressionar com a quantidade de coisas – que nós sempre julgamos conhecer. 

O público do lado de fora representa bem a evolução dessa geração. São namorados, maridos, esposas, mães e filhos (não crianças, vejam bem), velhos amigos, em novas etapas de suas vidas, já crescidos. E neste novo longa não estamos falando do primeiro amor, da “escola”, das “aventuras” – estamos falando de guerra, intolerância, julgamentos. Enfim, uma saga que cresceu junto da geração que a acompanha. 

Eddie Redmayne, vencedor de um Oscar, transmite pela tela exatamente aquilo que se espera do protagonista Newt Scamander. Mas é Dan Floger, o não-mágico, que vai conquistar o público com uma atuação cômica e ainda assim, pura em sua essência. Com ele, nada parece forçado, ao contrário da personagem Queenie, da qual, diga-se de passagem, não me cativou muito. O enredo não peca: muito mais sombrio, tenso e maduro. Óbvio que não se fala somente de animais fantásticos que fugiram da maleta de um bruxo que os estuda e causam confusão em New York. Este é apenas o pretexto para algo maior que acontece ao fundo.

É o que dará o pano para a manga em todos os próximos quatro filmes já confirmados. No entanto, surpreende por aparecer tão cedo. Precoce? Talvez. Porém, sem dúvida é de sentir um frio na espinha quando você observa a tela mudar e...Isso realmente aconteceu? Ousado em um primeiro momento e óbvio alguns instantes depois. Mas não perca seu tempo tentando encontrar ali todas as referências a Harry Potter, pois elas quase não existem. Afinal, os efeitos em 3D dos animais e da destruição em si são muito bons e valem a sua imersão. Dá vontade de entrarmos naquela maleta junto com Newt e cuidarmos de todos eles! 

Ainda assim, o filme não é perfeito. Peca nas lutas com varinhas. Falta mais emoção, mais feitiços complexos, mais vontade – As varinhas são pouco usadas e são elas, afinal de contas, que representam um bruxo. Deixou a desejar neste quesito, mas nada que afete a obra como um todo. Transformar um pequeno livro-catálogo de 63 páginas em um filme de quase 3 horas também não deve ser fácil e algumas coisas acabam ficando pelo caminho, naturalmente. Animais Fantásticos e Onde Habitam é, portanto, um longa introdutório para histórias ainda mais complexas e obscuras que escutamos por cima, sem muitos detalhes. Não há nostalgia, não se prende a algo anterior. J.K. Rowling nos descortina um mundo novo e a única coisa da qual podemos ter certeza sobre isso, é que não teremos a certeza de mais nada.

Link da matéria original no meu site: http://www.etamundobom.net.br/2016/11/animais-fantasticos-e-onde-habitam.html 

Crítica: Capitão América: Guerral Civil

domingo, 1 de maio de 2016


É improvável que alguém não vá gostar de Capitão América: Guerra Civil. Você já deve ter lido muitas críticas pela internet e com certeza testemunhou que o filme realmente é bom. Pois bem, tudo o que você já leu até aqui é verdade! Desde o clichê "melhor longa do que Batman vs Superman", até as características típicas dos filmes da Marvel, "engraçado" e "excelentes cenas de luta".
Será que a Marvel tem uma receita para elaborar tudo isso? Na verdade, não. Ela testou um formato que deu certo desde o princípio e aprendeu a desenvolver os roteiros, inclusive de heróis menos badalados como "Guardiões da Galáxia" - que na minha opinião tem a melhor trilha sonora em perfeita sintonia com o filme.
No entanto, Guerra Civil não é, como alguns dizem, um longa dos Vingadores. Mas é, e muito, uma história do Capitão América. Assim como não vou fazer aqui, não recomendo que alguém leia críticas com spoilers (afinal que graça tem?), mas se você quer ir em frente mesmo assim, pode ir. Em parte, você estará sabendo de tudo que acontece, porém, não vai esperar a forma como acontece e isso é o ingrediente que torna essa mistura de heróis tão bem combinada. 
Nenhum deles está ali nas telas por acaso, não foram simplesmente jogados por que tinham que ser jogados, não aparecem ali porque é simplesmente legal. Não, esqueça essa poção mágica falha da DC. Cada um dos novos heróis são muito bem inseridos na trama e alguns proporcionam momentos hilários, deixando bem claro que poderiam apoiar qualquer um dos lados. 
Falar do Homem Aranha a esta altura do campeonato seria clichê da minha parte, até porque, apesar da grande expectativa em torno dele, minha surpresa foi por outro personagem. Nem mesmo no seu filme solo o Homem Formiga conseguiu me conquistar, em termos de simpatia pelo personagem, tanto quanto em Guerra Civil. E no final das contas, ele foi muito mais útil ao time Capitão América, do que o Homem Aranha foi ao time Homem de Ferro
A maior jogada do filme está justamente na receita de saber colocá-los e tirá-los de cena. Foi como um "Chega, está bom de aperitivos. Vamos guardar o resto para mais tarde". Excelente! Sem exageros, o filme cumpre o seu papel com ação e diversão bem equilibrados. É verdade que sentimos um pouco de falta daquela tensão do conflito, e acredito que seja porque só estamos esperando para vê-los juntos em um único momento épico, mas isso não faz diferença.
Guerra Civil é uma lição de moral, inteligência e você diz "isso faz sentido". Tudo faz sentido e é muito bem construído. E ainda mostrou que vem muito mais por aí. A Marvel não se cansa nunca de fazer bons filmes. Bom pra nós.