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Crítica: Spotlight: Segredos Revelados

domingo, 27 de março de 2016
Filme "Spotlight: Segredos Revelados"

Definitivamente este não é o filme para ganhar o Oscar de Melhor Filme. Este é o filme feito para ganhar a razão e a emoção. Spotlight: Segredos Revelados, que concorreu à premiação nesta categoria, não venceria realmente. A sua proposta é a de ser um roteiro muito bem adaptado e prender a atenção do público em cada mínimo detalhe.
É impossível que uma única pessoa seja capaz de percebê-los e a maioria com certeza deixará muitos deles passarem batidos. A grandeza do filme está justamente na sua complexidade em tratar a realidade nua e crua, tal qual é. O longa conta a história da equipe de jornalistas que investigam os casos de pedofilia na Igreja Católica que ouvimos nos noticiários em anos anteriores - Sim, estamos falando da vida real - e requer muita concentração nos diálogos bem estruturados e nas cenas mudas, que podem dizer tanto quanto aquele momento de debate sobre pautas. 
Spotlight não é aquele filme que busca simplesmente retratar o jornalista como o herói que salva o dia. Não há espaços para clichês. Não há espaço para mais do mesmo. Não há espaço para a pura emoção e a banalidade com que muitas vezes o cinema a usa para fazer o público chorar. O objetivo é falar da realidade, e a realidade é dura como uma pedra.
O caso de pedofilia nesta que se diz a mais santa igreja, se torna coadjuvante perto de outra questão muito bem explorada pelo diretor Thomas McCarthy: somos seres humanos, às vezes cegos pelo egocentrismo, às vezes usados por um sistema de interesses e às vezes apenas humanos. São tantas questões, tantos temas que podem ser vistos jogados aos nossos olhos, cena após cena, que seria impossível uma crítica breve e curta. É imprescindível a observação, mas claro, um jornalista de verdade verá de um jeito. Outros, de outras profissões, verão ainda de outra forma.
O que se pode afirmar, de uma maneira geral, é que o longa é uma crítica e ao mesmo tempo um apoio à imprensa. Em tempos de crise política, como esta que o Brasil vive atualmente, estamos divididos entre contra e à favor de algo ou alguém, e neste meio estão os veículos de comunicação, tido como "manipuladores" de informação. Spotlight chega para posicionar de uma vez por todas o que é a imprensa: 
1. Essencial para expor e trazer a público o que é do público. A equipe que move um veículo de comunicação, tenha ele mais ou menos influência, pode mudar a história! Pode colocar nomes nos culpados, pode revelar segredos obscuros, pode tocar o dedo na ferida e fazer doer (e muito!). A imprensa é o único meio que dá voz à população.
2. O jornalista é humano. Ele erra, ele se engana, ele deixa passar. Impossível ser perfeito em uma profissão onde a própria reunião de pauta é um "filtro" dos assuntos - ou seja, fatos importantes serão ignorados - e a própria imprensa, que faz parte de uma indústria da comunicação, precisa saber vender e ter lucro.
Spotlight retrata exatamente isso. O quanto somos humanos dentro de um sistema imperfeito. O quanto ainda precisamos saber refletir na enxurrada de informações que nos batem a porta minuto a minuto, sem dar grande valor ao que ela carrega. O quanto necessitamos saber a hora de abaixar a câmera, o bloquinho e a caneta, e aprender a observar o que acontece no interior do outro - desconhecido ou familiar -, e no nosso interior. 
Não é um filme para se chorar, mas confesso que me emocionei. Me emocionei porque sou jornalista e recapitulei mentalmente quantas histórias passaram por mim que ninguém nunca irá saber ou conhecer e sempre me perguntei quantas ainda estão por aí sem serem contadas. O que é esse mundo engessadamente corporativo que nos diz que a emoção não deve ser expressada? O que é esse mundo que nos obriga a viver apressadamente sem saborear os detalhes? O que é esse mundo que tem tanto poder nas mãos e tantos problemas psicológicos na cabeça?
Spotlight é para nos trazer de volta à vida, ou melhor dizendo, nos fazer reviver a história sob uma nova perspectiva. É pensar. É refletir. É se emocionar. E finalmente agir, sem medo. Spotlight lembra a mim (e a qualquer outro jornalista, tenho certeza) o quanto somos humanos e do motivo pelo qual escolhi esta profissão... E neste momento, só tenho a agradecer por isso. 

Crítica: Como Eu Era Antes de Você

domingo, 14 de fevereiro de 2016
"Como Eu Era Antes de Você", romance da autora Jojo Moyes logo mais será mais um livro a ir para as telonas do cinema. Já havia visto ele antes nas estantes e cheguei a ler a sinopse, porém, vamos dizer a verdade: Aquela capa e aquele "jeito" de história de novela mexicana não eram atraentes. Algo muito abstrato e que me pareceu ter um certo drama de amor incompreendido.



O que se pode esperar do livro? Bem, existem mil leitoras por aí que vão dizer que é excelente, ótimo, emocionante. Na minha análise, após o término do capítulo final, eu apenas diria: é um bom livro. Para o meu estilo de romance, Jojo Moyes precisa caprichar um pouco mais nos seus finalmentes. A impressão é que ela teve que terminar a história correndo, deixando o fim um triste gosto de "Ok, foi emocionante, mas só isso?". Sim, eu esperava mais desse final.
"Como Eu Era Antes de Você" narra a vida pacata de uma jovem de 27 anos chamada Louisa, que desempregada, começa a trabalhar para o tetraplégico Will Traynor - um jovem rapaz acostumado com uma vida de viagens, trabalhos e esportes. Não é preciso dizer que, diante deste fato trágico, Will quer ter o suicídio assistido como alternativa para acabar com o seu sofrimento e a sua dor. O que é um ponto positivo da obra é justamente a descaracterização do "príncipe encantado" - Will está longe de ser um homem perfeito. Ele é grosseiro, arrogante, rude, e até diria que lhe falta um pouco de educação e consideração com as pessoas. Muito diferente de Louisa, simples, gentil e infantil (a famosa "menininha que ninguém nota a não ser pelas roupas fora de moda"). E ela encara isso como uma missão para convencer Will de que vale a pena viver.
É assim que os dois se aproximam e apaixonam um pelo outro e justamente nesse instante, quando você pensa que as coisas vão andar, elas começam a se desencontrar. Apesar do livro estar em um bom tamanho, Jojo Moyes demora demais para fazer a carruagem andar. Ela poderia ter economizado palavras em alguns capítulos sobre os pensamentos e devaneios de Louisa, que diga-se de passagem não possuem nada de interessante, e dar mais valor aos acontecimentos que vão fazer jus ao título da obra. Além disso, poderia ter abordado mais assuntos relativos aos tetraplégicos, fazendo com que você pudesse mergulhar no mundo deles, sentir-se na pele deles e poder afirmar por si mesmo se a atitude de Will era boa ou ruim - pois do jeito e forma como foi, pareceu algo muito ruim. Mas o fato de termos um personagem masculino deficiente coloca o tema em evidência e discussão, o que já é um fato positivo. 
Ao meu ver, a autora tinha tudo para fazer uma história fantástica, nos emocionar muito mais, nos fazer saborear esses momentos até que nos acabássemos de lágrimas com o fim, soluçando sem parar. Ela tinha enredo para isso, mas ficou somente no "comum", sem surpresas - isto quer dizer, nada além do que eu já esperava. E quando finalmente isso vai acontecer, acontece em uma página ou duas e pronto. Deixa a tristeza, mas nada que me prenda ou me faça refletir. Terminei com a sensação de algo pouco explorado, um vazio sem fim. 
O livro é apenas bom.

O Casamento: Quem tem casa quer casar!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Divulgação

2015 realmente tem se mostrado um ano cheio de surpresas, isto é, pelo menos para mim. Em junho, depois de quatro anos morando com meu namorado e meus pais, finalmente alugamos um ap - um cantinho só para nós dois. E bem, dizem por aí que "quem casa, quer casa", mas no meu caso foi ao contrário: quem tem casa também quer casar.
Sem uma festa propriamente dita, fizemos uma espécie de lista de casamento e contamos com a contribuição de todos os nossos amigos e familiares. No início ele foi contra, pois achou chato pedir presentes sem ter a comemoração. Tenho um conselho para quem pensa dessa forma: esqueça isso. Nenhum de nós chega a lugar sozinho e em algum momento precisamos da ajuda dos demais. Você pode fazer a sua comemoração depois e de várias formas.

Se você também quer casar, se juntar e comemorar sem gastar muito (como eu), vou deixar todos os contatos dos responsáveis por tornar a minha humilde festa de casamento (e vai ter fotos!) em um dia maravilhoso. Então, vamos lá?

Pré-casamento
A comemoração seria como uma festa de aniversário, algo mais comum e simples. Pelo menos foi o que imaginei no início. Mas não se sabe de onde, nem como, nem porquê ou de quem, veio a ideia do "Casamento da Alessandra" - Alguém chamou assim e as coisas aumentaram (rsrs). O primeiro passo é pensar o que você dispõe para gastar e o mais importante: não se afundar em dívidas. Fiz tudo pensando em não deixar nada para pagar depois e se você puder pagar tudo à vista, melhor ainda. Tão importante quanto isso é sempre ter em mente que você pode ficar apertada, mas jamais sem dinheiro. Por isso, não basta sonhar com aquela super produção, mas pense no que você tem e em como pode usá-lo.

Convites, espaço, decoração
Os convites muitas vezes pegam as pessoas de surpresa. Você pode gastar até 600 reais em um punhado de convites, mas pense bem. Será que vale a pena investir demais nesse pedacinho de papel? Ou seria melhor investir mais na decoração, nos doces, no buffet? Pois é, a resposta é um tanto óbvia. No meu caso, encontrei a Lembrarte (http://www.lembrarteconvites.com.br/) no site Elo7, com um convite bonito, simples como deveria ser a festa e um preço muito bom. Podíamos personalizar como queríamos, então logo alterei a cor (que foi roxa), os noivinhos (deixando-os menos formais, pois não haveria cerimônia na festa) e lógico, os dizeres. Foram cerca de 30 convites para os 55 convidados que chamamos e gastamos apenas 80 reais! Tudo foi feito online e os convites chegaram em perfeito estado, devidamente embalados e protegidos na caixa de correio, sem amassos ou sujeiras. 
Quanto ao que foi escrito, só tenho um conselho: seja diferente! Com uma festa mais simples que não terá cerimônia no local, deixe menos formal e procure brincar um pouco com a situação. No meu caso, pensei em fazer como a contracapa de um livro onde temos geralmente duas aspas de críticos de jornais e uma sinopse. Logo, inventei duas aspas dos jornais The New York Times e Folha de S. Paulo sobre a nossa história de amor e uma sinopse com um resuminho, como se nós dois fossemos os personagens. 

Divulgação

Quando se pensa no aluguel do espaço da festa até o coração bate mais forte - e o bolso! Existem locais lindos e maravilhosos em igrejas, campo ou sítios e é possível encontrar bons preços com eles também. Mas, o meu "casamento" era simples, como uma grande festa e por isso não havia necessidade desse luxo. Gastei 100 reais com o aluguel do espaço do salão de festas do próprio condomínio,  o que era perfeito pois assim os convidados também poderiam conhecer o nosso apartamento. Pense bem antes de alugar um super espaço e veja se a sua comemoração será compatível com ele ou se você está abusando.

No caso da decoração vale o mesmo conceito e não é porque a sua festa será simples que a decoração tenha que ser pífia. Primeiro é preciso analisar o espaço e tudo que ele possui para depois você começar a pensar em como ele poderia ficar enfeitado. Não é todo mundo que pode contar com o auxílio de uma organizadora e claro, eu também não poderia. Mas foi em um bate-papo com a professora de pilates que surgiu essa oportunidade. Ela, Julia Gandara, disse que gostava desse tipo de coisa e se ofereceu para me ajudar com tudo por um preço acessível. E já me trouxe na aula seguinte todas as ideias, com direito a revistas inspiradoras, de tudo que poderia ser feito.
Ela conheceu o espaço do salão de festas do meu condomínio e foi ali que fechamos os detalhes. Lógico que pesquisamos muitos sites na internet e imagens de referência para ter mais ideias e o bom é que a Julia havia casado há pouco tempo, ou seja, estava com tudo fresquinho na cabeça (rsrsrs). Ela também já tinha uma amiga que nos enviou pedaços de bolos e doces para provarmos e escolhermos o que iria ser servido, inclusive as lembrancinhas (que me perdoem fãs do bem-casado, mas esse doce é horrível e por isso foi o maravilhoso mini pão de mel!). Essa parceria funcionou e elas fizeram até uma página no Facebook para divulgarem os trabalhos e ganharem uma renda extra: https://www.facebook.com/Doces-Bis-739098752855909/?fref=ts 

Você pode ter a mesma sorte que eu e encontrar alguém que tope ser a sua organizadora, faça tudo que você precise e te cobre um preço bem "camarada" ou ainda melhor, aquela sua best friend que te ama muito e te ajude de graça. Sempre conte com os seus amigos para tudo! 

O temido Buffet
Uma das maiores preocupações em um casamento é o buffet, pois a maioria deles é cara e as comidas são bem sem graça. Em toda festa desse tipo há uma reclamação do que foi servido. O primeiro passo é pensar no que você quer que esteja disponível aos convidados e ficar de olhos muito bem abertos no cardápio.
A Julia, assim como me ajudou a encontrar os convites, correu atrás de diversos buffets. A data do casamento estava bem em cima e ainda não havíamos fechado um. A prioridade era bom serviço e baixo custo, claro. No final das contas, depois de tantos contatos com um e outro, com preços parecidos, selecionamos dois para fazer a prova. O primeiro tive que ir até São Caetano para experimentar e não me arrependi. A massa era fresca, bem recheada, gostosa e um molho de tomate mais bem feito que tudo! O outro buffet enviou para a minha casa e foi uma experiência terrível, pois o molho estava muito ácido (até um tantinho azedo). Por isso, sem dúvidas optamos pelo buffet "Vem que é Festa" (http://www.vemqueefesta.com.br/) , que nos cobrou mais ou menos 2.300 reais com direito a: três tipos de coquetéis de entrada, as entradas com diversos patês e pãezinhos, mil e uma saladas com molhos diversos, três machas recheadas (pessoal, provem a de frango!!!), três massas simples e uma massa gratinada - ou seja, 7 tipos de massas diferentes -, sorvete de creme com cobertura de chocolate e alguns litros de cerveja. Claro, se você optar por ficar sem o sorvete, a cerveja ou alguma outra coisa, o preço abaixa mais ainda. Viu como vale a pena economizar no convite? rsrsrs...

Vestido e Dia da Noiva

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Você pensou no Dia da Noiva para o seu casamento? Se sim, garanto que também é melhor deixar isso de lado. Vale uma ida ao salão, fazer as unhas, as sobrancelhas e um corte de cabelo. Pronto, mais nada. Sabe aquela maquiagem perfeita? Sua amiga que se maqueia super bem toda vez que vai a uma festa pode te ajudar. No meu caso, foi minha prima (obrigada Gaby!) que teve a paciência de vir dias antes fazer alguns testes e de no dia, tadinha, ficar mais atrasada que a noiva (kkkkkkk). 
Agora, se você sonha em se casar de branco, pode se preparar para desembolsar um pouco mais de dinheiro. Mas, novamente aconselho, pense muito bem. Dependendo da sua festa, um vestido de noiva propriamente dito não ficará nada bom. E às vezes, se você remexer no seu guarda-roupa pode encontrar algo que uma boa costureira dá um toque especial. Foi mais ou menos assim que decidi fazer o meu. Minha mãe encontrou uma renda que foi dada de presente por uma tia muito amada e querida minha que já faleceu há cinco anos e colocou ela em cima da minha cortina, um tecido lilás. A combinação ficou tão perfeita (e eu nunca fui fã de branco) que estava decidido. Novamente a Julia entrou em ação e indicou uma costureira muito boa, que aproveitou a renda e encontrou um tecido da mesma cor da minha cortina. Enquanto minha mãe deu seus toques de estilista na parte da frente, eu decidi como queria as costas e no final, desembolsei 230 reais por ele. O que valeu muito a pena... 

Cartório e Alianças
Obviamente que seria ótimo você oficializar tudo de uma vez, mas nem sempre isso é possível. No meu caso fiz questão que fosse e comparecemos ao cartório 2 meses antes para marcar a data e 15 dias antes na JK Alianças para comprar o parzinho dourado. Apenas no cartório você deverá gastar 400 reais, mas pelo menos onde eu fui, eles foram atenciosos e muito caprichosos. Poderia dizer que o casamento no cartório é tão emocionante e bonito quanto qualquer outra cerimônia de igreja - Tivemos direito a plantinhas, tapete vermelho na entrada, discurso de cerimonialista e troca de alianças no local. Se te oferecerem as fotos resista, pois eles abaixam o preço até pela metade!

Agora, no próximo post, você vai poder conferir o resultado de tudo isso com as imagens! Clique e veja!


Game of Thrones: o maior sucesso ou o maior fiasco?

sábado, 20 de junho de 2015
(Atenção, este post tem spoilers!)

Jon, Arya, Tyrion, Bran e Daenerys

Game of Thrones. Você pode não assistir, mas com certeza já ouviu falar. Pode não gostar, mas já ouviu comentários. Pode achar que tudo não passa de moda, mas não pára de ver a imprensa falar dela. Uma coisa é verdade, Game of Thrones é A Série.
No último domingo, a 5ª temporada terminou de forma avassaladora para os despreparados e como já estava cansada de ler tantas críticas e análises sem conhecimento algum dos livros (sim, nós percebemos!), vamos fazer um apanhado geral. 
Game of Thrones criou barreiras enormes e dividiu o seu próprio público em três partes: os leigos que não leram os livros, os leitores comuns e os leitores fanáticos que acham que sabem tudo que está nas entrelinhas. E as brigas e discussões entre esses grupos chega a ser de uma ferocidade digna de dar pena! Enquanto os leigos sofrem por qualquer coisa que aconteça, os leitores se digladiam nas redes sociais com suas mil e tantas teorias. Tudo isso porque o bom velhinho (notem a ironia), George R.R. Martin, é muito lento para escrever o 6º volume e a TV chegou nele muito rápido - tanto que não tinha mais o que fazer a não ser cada um seguir o seu rumo.
A partir daí surgiu a famosa frase "os livros são os livros, a série é a série" e o público se dividiu novamente entre os criticam os roteiristas e diretores e os que os defendem. Os episódios passaram então a dar os maiores spoilers do que não se sabe nos livros - o primeiro deles sobre os Caminhantes Brancos transformando um bebê e mais tarde com novas aparições, quando no mundo literário não se sabe praticamente nada sobre eles ou ainda como são criados e derrotados. A TV optou por esquecer núcleos (Os Greyjoy que o digam), dizimar outros (Baratheon, bye bye), fazer com que peças chaves se tornem apenas mesquinharias (Dorne...Dorne), inverter as histórias dos personagens (os que morrem, vivem nos livros; ou os que não fazem nada tem um grande papel na TV). Fato é que rodaram, bailaram, sambaram e foram todos para o mesmo lugar: o final de "Dança dos Dragões".
Todos já estão acostumados com os choques de Game Of Thrones, mas esta temporada foi ainda pior. A internet ficou louca com as mortes e abusos desnecessários e realmente foram desnecessários. Às vezes costumo parar e pensar em certas cenas e digo "Pra quê isso? O que isso vai mudar afinal? O que custa?".
Sansa Stark nunca se casou com Ramsay Bolton. Meu Deus, onde foi parar a falsa Arya que foi designada como sua esposa? Onde está o povo do Norte que jurou lealdade à eles e se juntaram com Stanis Baratheon para tomar o reino de volta? E ninguém sabe o que ocorreu nessa batalha ainda. Mas a série já deu seu veredicto: ele perdeu e parece que morreu - pelas mãos de Brienne! Brienne que ficou lá esse tempo todo esperando ascender uma vela na janela e no final não estava mais lá! 
Tyrion Lannister e joguinho de conversas com Daenerys Targaryen seria até bem interessante, algo que os leitores esperavam por muito tempo (e que nunca aconteceu nos livros), mas certamente não dessa forma. Ou você acredita que quando eles se encontrarem nos livros a situação será assim tão simples de ser resolvida? "Os livros são os livros, a série é a série". Claro, estou sendo bem superficial. Se fosse entrar nos mínimos detalhes estaria por aqui na próxima semana inteira ainda escrevendo.
Bran ficou esquecido (sua história já tinha dado tudo o que podia na temporada anterior), mas foi pouco explorado para explicar sobre o "warg". Seria essa a intenção da HBO? Todo o mistério que não foi feito com os Caminhantes Brancos, é feito com o fato dos Starks poderem trocar de corpo - ser um warg. E nisso se resume todas as teorias de Westeros, a esperança que leitores e espetadores procuram manter para uma teoria final, perfeita e feliz, Mas lembrem-se, estamos falando de Game of Thrones. 
Portanto, todos esses choques, mortes, conversas fiadas deixaram esta como a pior temporada da série até aqui. Completamente estagnada, os roteiristas não sabiam mais o que fazer. Tinham que enrolar muito para não contar as cenas principais logo de início e por isso tivemos muito papo e pouca ação. Mas lembrem-se, estamos falando de Game Of Thrones. 
Eis que do nada, o amado bastardo Jon Snow decide buscar os Selvagens para salvá-los de um terrível desastre e testemunhamos a batalha épica! Uma cena que não acontece nos livros e criada totalmente para a TV, minutos de muita adrenalina, o espanto, aquele bom de ser sentido, que fazem você levantar do sofá e gritar, torcer! A melhor batalha já produzida, de deixar qualquer fãzinho de The Walking Dead no chinelo pensando que está assistindo a algo realmente bom. São por essas cenas inesquecíveis que vale a pena assistir Game of Thornes. Simplesmente fantástico! A mídia babou, os leitores babaram, os leigos babaram e nós finalmente fomos UM. E Jon escapou ileso. Lindo! Só que nem tanto.
No final, o último minuto da última temporada, uma traição dolorosa de ser vista... E se nos livros há alguma esperança, a série também deixou...E se nos livros há muitas perguntas, a série também deixou. A intenção foi essa, fazer com que todos, igualmente, ficassem na dúvida. Na literatura, Jon desaba, escuta Fantasma (o seu lobo) uivar e pronuncia seu nome, o que levantou a possibilidade dele ser um warg e não ter morrido de fato. No episódio, ele simplesmente cai e não diz nada (aliás, alguém aí viu os Lobos???). Assustador? As reações foram exageradas. Muitos lembraram que a "feiticeira" Melissandre voltou a Castelo Negro, do qual ela nunca saiu na história original, e pode ressuscitá-lo. O ator afirmou que morreu de verdade e não voltará mais na série. Mas também já saiu por aí a notícia de que ele renovou contrato até a 7ª temporada. 
O que não ouvi ninguém falar (e se alguém falou, diga por aqui também), foi algo que reparei após alguns minutos do término desse episódio: os olhos de Jon mudam de cor, de castanho escuro para algo mais claro, como um verde ou azul. Seria essa a pista?

Se o personagem morreu, assim como supostamente também ocorreu com Stanis, foi a maior burrada da história da HBO. Assim como foi a maior parte do que eles fizeram nesta temporada. Muitos criticaram os fãs que queriam a sequência similar a dos livros, mas a verdade é que nunca vimos algo se provar tão verdadeiro quanto sabemos agora, de como a literatura é infinitamente superior a meras imagens e de como elas não conseguem seguir o próprio caminho sozinhas. Então apenas peço, HBO pense duas vezes antes de escrever a próxima temporada antes do lançamento de "Os Ventos do Inverno" e Martin, termine isso logo, por favor!


E você, o que achou? Jon Snow realmente se foi para sempre? Seja qual for a sua opinião, tenho um conselho para te dar...

"Os livros são os livros. A série é a série."





Crítica: Quem é você, Alasca?

domingo, 7 de junho de 2015


É deprimente pensar que autores famosos conseguem sucesso com algo tão pobre quanto John Green conseguiu com Quem é você, Alasca?. Você se lembra daqueles filmes americanos tipicamente adolescentes, do estilo American Pie? Nisto se resume a história desse livro. Um garoto normal que se envolve com amigos malucos, uma garota maluca, fumam, aprontam sua travessuras como um bando de crianças que estão sem a vigilância dos pais.
Afinal, isto me faz pensar em como ser detalhista pode ser tão irritante ou o quanto a psicologia moderna pode beirar a loucura e a insanidade, o que revela uma informação interessante sobre o autor: a de que ele não sabia o que estava fazendo, ou melhor, escrevendo. O pior de tudo isso? É tentar entender o motivo pelo qual ele entra na lista dos mais vendidos - Na verdade há uma resposta e se chama "A Culpa é das Estrelas".
Quando temos disponíveis nas prateleiras outros tantos livros incríveis, muitas pessoas gostam e aprovam a psicologia barata da adolescência americana e caem na, vamos dizer assim, "modinha" do momento. Desde quando será que os autores passaram a falar tanto dos detalhes? Existem tantas descrições em Quem é você, Alasca? que as páginas ficam carregadas de informações inúteis para a história, coisas que não levam a lugar nenhum e não dizem nada sobre os personagens. É de dar sono.
Chegamos nas partes que geralmente os bons leitores sabem apreciar, a arte de desenvolver a complexidade dos personagens no texto. Sim, pois isso é uma arte e um ingrediente essencial que pode tanto ser um sucesso quanto um grande fiasco. Se não colocado na dose certa, tudo vai por água abaixo. Infelizmente é preciso dizer que John Green necessita de aulas sobre este assunto. Certamente que descrever sobre "as últimas frases" ditas antes de morrer, uma linda paisagem vista pela janela, seguir sempre o colega ou se apaixonar pela garota mais óbvia do mundo, está longe - muuuuuitooooooo longe - de falar ao leitor sobre a mentalidade daquele ser humano imperfeito que acompanhamos página após página.
Ele precisava aprender um pouco com Patrick Rothfuss sobre isso; com George R. R. Martin sobre detalhes; com Kaled Hosseini sobre cultura; com J.R.R Tolkien sobre ritmo; e para não dizer que fui tão longe assim de seu universo, com J.K Rowling sobre aventura adolescente. Sei que o autor é quase um "queridinho da turma", mas se você acha ele bom, precisa se aventurar em fantasias e romances de verdade. 

Críticas: "A Arma Escarlate" e "A Comissão Chapeleira"

domingo, 8 de março de 2015
A literatura estrangeira toma conta das prateleiras de qualquer estante. Assim como em todos os demais campos - cinema, programas de TV, desenhos, etc - a literatura nacional é sempre tida como o clichê, a cópia de tudo que é apresentado lá fora. Com A Arma Escarlate não é diferente, mas ao mesmo tempo é.



J.K. Rowling, a autora de Harry Potter, inspirou milhões de crianças e adolescentes a criarem as suas próprias historias e durante uma entrevista foi bem clara ao dizer que qualquer um poderia criar o seu universo mágico. Foi um "fiquem à vontade" e o ponto de partida inicial para que Renata Ventura desenvolvesse uma história sobre o mesmo mundo bruxo adaptado as condições brasileiras: costumes regionais, escolas com ensino deficiente, lendas da cultura como o saci e a mula sem cabeça, favela, paixão e drogas. Na história, Hugo é um menino que tem vergonha de onde vem, descobre que é bruxo, adota outro nome, pega uma varinha (aparentemente super poderosa) sem pagar e começa por fazer diversas coisas erradas.
Li  A Arma Escarlate na esperança de ver que a literatura nacional fosse mais do que um clichê e que pudesse, de certa forma, também mostrar o que há de bom em ser brasileiro. Infelizmente, pelo menos neste ponto, tive uma certa decepção. Os pontos "podres" do Brasil são inúmeros e sabemos disso, mas não somos únicos - Ou será que alguém acredita em toda a magia perfeita que existe na Europa? Nos EUA? Qual o real motivo de termos eles como exemplo e não nós mesmos? Eles também sabem de seus erros e pecados, mas não mostram descaradamente para o mundo. Isso certamente precisamos aprender com os americanos e europeus. Todos sabem que o sistema de saúde dos EUA é precário se comparado até mesmo aos daqui, porém, ninguém diz.
Colocar em um livro os tiroteios, mortes e o vício das drogas é bom por um lado e péssimo de outro. Porque não mostrar o lado bom do Brasil? Caímos novamente naquele velho pensamento de que no Brasil só existe isso: Favelas, bandidos, corruptos, drogas e carnaval. Por isso, Hugo é um personagem detestável, arrogante, petulante, um anti-herói. Tenho certeza que Renata Ventura desenvolveu o enredo pensando justamente nisso, pois não acredito que a intenção dela fosse outra a não ser montar esse cenário e essa caricatura de pessoa que são realidade em nosso país. 
Tive apenas um motivo para continuar a saga e ir adiante para o segundo volume, A Comissão Chapeleira. 



E esse motivo tem um nome: Capí. Capí é simplesmente aquele ser humano que nós desejamos ser ou que pelo menos queremos ter como amigo e companheiro. Capí é a personificação do que há de melhor no mundo e em suas palavras encontramos os conselhos e a esperança que muitas vezes sonhamos em ouvir. Capí é um personagem que nos faz termos vergonha de nossas ações, que nos emociona e que nos inspira a sermos diferentes. Ele é tudo o que sempre busquei encontrar no meu íntimo e no das pessoas ao meu redor.
As melhores frases são dele. Os diversos conselhos e "segundas-chances" que ele dá a Hugo muitas vezes é aquilo que você precisa ouvir também. Afinal, todos somos um pouco Hugo, um pouco Capí, um pouco Viny, um pouco Abelardo, um pouco Caimana...A Comisão Chapeleira prende do começo ao fim e te desperta de uma forma que não senti em A Arma Escarlate. Você consegue respirar a tensão e ao mesmo tempo a tranquilidade. Torce - e muito! Confesso que em determinado momento cheguei a pensar: "Não Renata, você não fez isso, pelo amor de Deus!" (quem leu sabe do que falo) e se ela tivesse feito, certamente eu mesma teria ido atrás dela e tiraria minhas satisfações (a conheci na Bienal 2014). 

Eu e Renata Ventura

Enfim, é bom ver o mundo bruxo de volta, mas melhor ainda é ver que existem personagens que nos inspiram. Vamos além: o melhor de tudo é ver a literatura nacional abrindo novas portas para os leitores da fantasia. Que venham mais livros!

E por favor, que deixem o Capí em paz. 

Os 50 tons da ignorância

sábado, 7 de fevereiro de 2015
Cartaz do filme Cinquenta Tons de Cinza

Por algum motivo sem muita importância, ser diferente é errado. Ou seja, ser você mesmo é um pecado mortal, do qual diariamente tentamos fugir para nos encaixar em alguma "tribo". Mas isto é ignorância: Ser guiado por algo "tradicional", que não foge aos meios e aos fins, que afirmam sobre a liberdade, mas a recriminam quando expressada. Assim é que vem surgir a enorme polêmica sobre o filme "Cinquenta Tons de Cinza".

O longa, que estreia no dia 12 de fevereiro, levantou uma onda de protestos e boicotes, em nome da "não-violência contra a mulher", "não-submissão da mulher" e até uma campanha para doações em prol das diversas mulheres que sofreram abuso sexual. O ato, como campanha, é maravilhoso. Como boicote ao filme, só prova como a população ainda se mantém na confortável ignorância, das quais tem preguiça de sair.

Várias questões passaram pela minha cabeça ao ler tal notícia: "Mas essas pessoas já leram os livros? ... Mas para se fazer uma doação é necessário boicotar um filme? Aliás, precisa esperar lançar um filme desses para ser ter a ideia?". Isso me desanima. Parece hipocrisia. Parece um aproveitamento mascarado em uma grande causa. E ainda imagino, quantos que ali comentaram já não fizeram coisas piores, seja em sexo ou violência (física ou verbal), com maridos, esposas, pais, mães, irmãos e amigos. Afinal, somos seres humanos e imperfeitos.

Porém, o desconhecimento sobre a história e sobre a própria lei é tão exacerbadamente exposto que chega a ser preocupante. Todos sabemos que o povo brasileiro não é conhecido pelo hábito da leitura, o que se pode deduzir que 90% daquelas pessoas se quer chegaram perto do livro para conhecer a história. Outros 5%, composto pela maioria de mulheres, leu o primeiro volume - o mais carregado de sadomasoquismo dos três títulos (claro, a mocinha está conhecendo este universo e está sendo apresentado para ela) e logo concluíram que a história é irreal, louca, com muito sexo, abusiva, obsessiva. E os outros 5% foi o grupo que leu tudo até o fim. Logo, esta é a nossa realidade unida à 'liberdade de expressão' presente nas redes sociais: todos comentam sem conhecer (às vezes até sem ler a notícia). Para quem não acredita, posso afirmar - como alguém que leu - que a história envolve um grande conflito psicológico e amor (sim, sim, sim!) .... Afinal, muitos frequentam as baladas, "pegam todas", tem uma noite de puro sexo (sem camisinha talvez) e obviamente isso é aceitável. Mas se for uma garota inocente com um relacionamento amoroso, firme e sério, é abominável ela aceitar ser submissa.

Aliás, isto abre mais uma discussão a respeito de desconhecimentos. Abuso sexual é a prática de atos sexuais com menores, incapazes ou capaz que se encontra inconsciente ou sem poder resistir. Em outras palavras, nada que seja retratado no filme ou no livro. Sobre a submissão, presente desde que o homem existe, ela vem sendo quebrado ao longo das décadas, o que justamente permitiu ao universo feminino ter a liberdade de escolher: a trabalhar, a votar, a profissão, a se apaixonar, a se envolver, a beijar, a fazer sexo da forma que quiser. Somos diferentes, mulheres e homens, cada um em seu momento e em sua forma de agir e pensar. Em matéria de sexo, alguns querem o romance, outros o querem sem compromisso, outros querem os fetiches, outros querem dominar, outros querem ser dominados, outros querem tudo isso. Uma vez consentido e aceito, não é abuso, nem violência.

E me pergunto qual é o problema de uma mulher dominar um homem? Ele é menos homem por isso? Ou um homem dominar uma mulher? Isso a torna sua escrava? Me pergunto, qual é o problema da humanidade? Chegamos ao ponto de interferir nas escolhas de todos em relação àquilo que pertence somente a cada um. E o que de fato é de todos - a própria violência, as drogas, a educação, a saúde, o meio ambiente, a corrupção - continua a ser o que sempre foi.

Aproveite e confira as resenhas sobre a trilogia: volume 1, volume 2 e volume 3.


Porque não ler os livros abaixo?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Não é uma crítica, por isso, vou ser menos formal e mais direta.

Estes não vão entrar na lista dos #FicaaDica



A Ruiva Misteriosa, Alice Calyton – Aparentemente uma história bacana, foi uma das minhas últimas aquisições da Bienal. Na onda de eu também estar ruiva, foi meio por impulso e por isso, aprendam leitores: nunca comprem nada por impulso! Dificilmente temos a sorte de ler uma boa história. Alice Clayton tentou fazer um mix de Cinquenta Tons de Cinza com Qual o Seu Número? e o resultado foi algo decepcionante. São muitas passagens sobre sexo e palavras de baixo calão (está na moda fazer isso agora) desnecessárias e constantes, além de personagens supérfluos, totalmente sem bom senso nas ações e usos de palavras. Não há profundidade neles, nem emoção na história. Entrou para a lista dos meus “Abandonados”.

As Vantagens de Ser Invísivel, Sthepen Chbosky – Outro que parecia ter uma história legal e para minha surpresa: Nossa! Que monótomo! Cansativo, bem adolescente (ou seria aborrescente?), um enredo típico de filme americano (drogas então, nem se fala). Lembrou-me o filme “American Pie” no grau de “coisas idiotas”. Não perca seu tempo nesta leitura.

E a maior enganação da literatura atualmente:


A Menina que Não Sabia Ler, John Harding – E por qual motivo digo que é a maior enganação da literatura? O livro, com uma menina deitada lendo um título qualquer e o nome, nada tem haver com a capa e nome originais. Pesquise na internet e verá. Aquela é a verdadeira “face” de A Menina que Não Sabia Ler. Se você pensa em algo inocente, desista. Esta é simplesmente, uma história que envolve suspense, terror e psicopatas. Até no começo do livro, nas primeiras 100 páginas, tudo vai indo conforme a falsa capa e a partir daí você descobre o verdadeiro lado sombrio. O enredo mudou da água para o vinho! As coisas ficam sem conexão e você se sente em alto mar, sem entender o motivo daquela mudança repentina. Então eu fui pesquisar e descobri que o autor se baseia muito em Edgar Allan Poe (o “gênio” do terror). Além disso, encontrei vários depoimentos de pessoas que se queixaram da mesma coisa, dos pontos soltos que ficam na história e também de medo. Bem, este não é o meu estilo de leitura. Não gosto dessas coisas porque acredito que em tudo neste mundo há um fundo de verdade. Por isso, me senti enganada! Ficou óbvio que quiseram aproveitar o sucesso de A Menina que Roubava Livros e embarcar nessa onda de lançamentos de meninas inocentes com um cenário tenebroso. Pesquisem antes, sempre!

Crítica: O Jogo Perfeito e Virando o Jogo

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O Jogo Perfeito é o primeiro volume de uma trilogia da escritora J. Sterling, publicado pela Faro Editorial (Sim, mais uma novinha no mercado pra gente se derreter em leitura!), que conta a história de Cassie Andrews, uma universitária que se apaixona pelo jogador de beisebol do colégio - e também babaca -, Jack Carter. 
De início, a sinopse é um tanto fraca: mais uma história de amor clichê sobre a garota legal que fica encantada com os olhares e músculos do garoto pegador e garanhão. É verdade, muita dosagem adolescente em um único livro. Mas nem por isso deixa de ser bom. O linguajar é bem simples, fácil de entender, com direito até a algumas palavras de baixo calão (porém não muitas, então é possível relevar). 
O mais interessante em todo o enredo na verdade são as conversas de Cassie e Jack, onde muitas vezes 'curtimos com os olhos' as provocações e a determinação de cada um em se distanciar ou ficar perto um do outro. Algumas passagens chegam a ser engraçadas e claro, em outras, você se envolve tanto com o livro que quer matar Jack Carter! E é isso que o torna bom.
Quando um livro consegue trazer você para dentro da história, ele cumpre o seu papel - e se você permanecer nele até mesmo nos seus pensamentos do dia a dia ou nos seus sonhos durante a noite, então ele é fantástico! O Jogo Perfeito e o segundo volume Virando o Jogo, conseguem fazer com que o leitor fique na história pelo menos quando está lendo e se envolver de maneira física e mental com cada um dos personagens. Confesso que não é do meu gosto as narrações de sexo usadas pela autora - Ninguém ainda bateu Diários de Uma Paixão neste quesito - que inventou um Crepúsculo misturado com uma pitadinha de Cinquenta Tons de Cinza. 

Os livros são ideais para casais que estão começando um relacionamento e que se encontram naquele momento de estabelecer a confiança e tornar a brincadeira em algo sério. Qualquer adolescente vai gostar da história, se envolver e pensar se ela vai pelo mesmo caminho. Apesar das cenas de sexo e de um certo palavreado, é um livro leve que você consegue devorar em poucos dias.
Mas, certamente não é o tipo de livro que pessoas mais velhas, com relacionamentos mais duradouros, estariam interessadas em folhear. Por isso, pense bem na sua escolha. Eu ainda estou ansiosa para saber o final ;)

Crítica: A Culpa é das Estrelas


Se você está psicologicamente preparado para suportar histórias tristes e personagens extremamente humanos com todos os seus defeitos, certamente vai querer ler A Culpa é das Estrelas. Não se tem falado de outro título que não seja este, principalmente após o lançamento do filme nos cinemas de todo o mundo. No entanto, há ressalvas. E muitas ressalvas.
A principal questão é: Porque este foi um livro que permaneceu no Top 5 dos mais vendidos, em mídia e publicidade, com uma história tão simples e com personagens tão vazios? Sim, o câncer, tema central que orbita em torno de Hazel, Augustus, Isaac e tantos outros, é um estado degenerativo-deprimente, que nos faz chorar em algumas páginas, pensando em como a vida é injusta com as pessoas.
No entanto, desde o primeiro momento, apesar da emoção com a história, não fui nem um pouco simpática a Hazel e preferi colocar minha fé de aquilo iria melhorar. Mas não melhorou. Talvez esse tenha sido mesmo o objetivo de John Green, pois assim, ele mostra ao mundo algo mais realista e que contraria o que pensamos desse universo de doenças terminais.
Hazel é uma personagem egoísta e fraca - isso mesmo! Vive em suas lamentações, se achando a pior vítima do mundo por não ter os pulmões normais e 'critica' a postura das pessoas ao seu redor (isto inclui o pai, a mãe e o Grupo de Apoio) que tentam lhe ajudar da maneira que elas entendem como sendo o melhor. Não há uma coisa positiva nos pensamentos ou dizeres de Hazel. Nem mesmo quando o namorado Augustus usa o seu Desejo para realizar uma grande sonho dela! A frieza da personagem é algo que vai além das suas características mentais, e se transporta inclusive para o relacionamento com Gus. Chega a ser algo completamente sem sal, monótono, que ocorre sem mais nem menos. Muito sem graça.
Ainda assim, é tocante, é emotivo, é triste - tudo por causa do indesejável câncer. Mas realmente, se formos parar para pensar, como será que eu seria se descobrisse algo assim? Como será que eu encararia a vida sabendo que estava morrendo? Não posso criticar o autor ou a personagem por essa postura. Não tenho isso (Graças a Deus) para saber na pele como seria. Talvez essa seja a verdade por trás daquela máscara de "tenho que ser forte", suportar a dor e a perda, continuar vivendo embora a alma peça por descanso. Deve ser algo inimaginável. Mas ainda acredito que no meio de tantas pessoas e médicos sem esperança, que existam outros milhares que realmente buscam lutar para viver um dia mais, simplesmente por acreditarem que vale a pena presenciar o sorriso de alguém que você ama ou que ama você.
Talvez, outras milhares aproveitem cada minuto, cada segundo, sem se importarem com aquilo que as destroem, apenas tentando viver. E outras milhares, que apesar de não estarem gravadas na história para serem lembradas eternamente (como Augustus sempre quis), doam cada gota de suas vidas em experiências com novos tratamentos e medicamentos, na esperança de que isso um dia possa estabelecer a cura ou pelo menos, prolongar a estadia dos futuros portadores de câncer do mundo. Para mim, John Green mostrou a verdade de muitos deles, mas ainda assim, acredito que existam os melhores, os que são mais do que isso. Positivo ou negativo, A Culpa é das Estrelas foi feito para chorar.

Destino lhabela (SP)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Eu no pier da pousada

Lá no começo do ano, quando comecei a planejar as minhas férias, queria algo diferente. De início, nosso destino (meu e de meu namorido) era internacional: Buenos Aires, na Argentina. Mas com o passar dos meses, muitas coisas aconteceram e tudo foi ficando mais complicado, despesas que não contávamos começaram a surgir e apesar das viagens para fora do país serem sempre a melhor opção financeira, mudamos o nosso destino e não saímos do estado de São Paulo. 
Havia ganhado uma viagem de três dias para Caraguatatuba, litoral norte, em uma das melhores praias da cidade. Com isso, comecei a estudar a possibilidade de visitar outros locais que seriam de fácil acesso quando nossa estadia por lá terminasse. Com isso, veio em mente Ilhabela. 
Em junho, comecei a pesquisar hotéis, chalés e pousadas no tripadvisor, foursquare, sites oficiais e entrei em contato com os selecionados para saber as diárias no período das férias. 

Para facilitar a leitura dos internautas, vou separar em tópicos - com dicas e sugestões - de todos os restaurantes que fomos, as praias e os serviços da pousada para que tenham ideia do que foi excelente e do que pode melhorar caso alguém também queira visitar Ilhabela! E também apresento um "roteiro" do que fizemos em cada dia. Abaixo, você poderá conferir algumas fotos.

Pousada Fruto do Mar
Optamos pela Pousada Fruto do Mar (www.pousadafrutodomar.com.br/), não somente pelo preço (180 reais a diária) e serviços oferecidos, mas principalmente pela localização - que facilita muito a estadia de quem está em Ilhabela pela primeira vez e não conhece nada. A pousada fica a apenas 500m da balsa, pertinho da principal avenida da cidade que dá acesso a tudo o que você precisa. 
O café da manhã era simples, porém completo: frutas, bolos, pães, sucos, café, leite e até alguns grãos. Tudo isso com uma linda vista para o mar. Eles tem uma pequena academia (mas por favor, quem em férias quer fazer exercícios? rsrsrs) e um pier, que apesar das inúmeras escadas para descer - e consequentemente subir - valia a pena. A vista é maravilhosa, ideal para quem deseja ver o pôr do sol em um fim de tarde cansativo.
Pontos negativos: Tinha uma boa piscina, porém não é aquecida, o que não permitiu chegar nem perto da água. 
Infelizmente nenhum dos quartos tem vista direta para o mar, o que seria perfeito. E os quartos 8 e 9 ficam com a varanda de frente para um matagal e terra, onde estão fazendo algum tipo de obra. Ou seja, você não pode abrir sua janela logo de manhã pois alguém pode te ver de camisola. 
Apesar disso, atenção ao detalhe: Não importa aonde você se hospedar. Ilhabela é um local para que você passe o dia inteiro fora, aproveitando, curtindo, e só precisa de um lugar para tomar um bom banho e dormir. 

No primeiro dia perdemos pelo menos a parte toda da manhã. Então, a primeira coisa que fizemos após o check-in foi procurar um lugar para almoçar. Com a fome apertando e como não conhecíamos absolutamente nada, paramos na primeira plaquinha de Subway (hahahahahahahaha). A moça que nos atendeu foi tão receptiva que nos deu algumas dicas de onde ir. 
Aproveitamos o resto do dia para conhecer as praias do lado sul da ilha (que são as melhores) e aproveitá-las um pouquinho. No segundo dia, elegemos aquelas que gostamos e permanecemos nelas por mais tempo, curtindo cada segundo. 

Ps: Todas as praias de Ilhabela são de tombo, algumas mais inclinadas, outras menos, outras "bem pouquinho", mas também são tranquilas e sem ondas.

Ilha das Cabras: uma praia simples com um pequeno espaço de areia, ideal para quem quer fazer mergulho, caiaque, etc. Dentre as que visitamos foi uma das mais "cheias", só perdendo para a do Curral. 
Praia do Portinho: Maior que Ilha das Cabras, boa para quem tem família e bem tranquila.
Praia do Julião: A minha favorita! Por ser escondida, seu acesso é feito somente por uma pequena trilha ou pelos estacionamentos dos restaurantes. É conhecida por ter o melhor pôr do sol de Ilhabela - e eu testemunhei. O sol se põe bem de frente para você, permitindo uma visão estonteante. É também a praia mais tranquila, tanto em frequentadores como no mar, onde quase não há agitação. No meio das pedras até conseguimos mergulhar com os óculos de natação para ver um cardume de peixes listrados em amarelo e preto que nadavam na parte rasa. 
Praia Grande: Gostei bastante desta praia também, um pouco mais frequentada e de tombo um pouco maior do que as demais. Tinha uma forte correnteza, mas conseguia ficar sentada só aproveitando o ir e vir do mar.
Praia do Curral: Se você quer tranquilidade, esta não é sua praia. a Curral é mais badalada, com mais infraestrutura e até caixas de som com música. Por isso, só estive ali por poucos momentos.

No outro dia, visitamos as praias do lado norte, mas só conseguimos aproveitar a Praia do Perequê, onde nadamos um pouco, apreciamos a vista e a tranquilidade. A Praia de Engenho D'Água e Itaguassú também são lindas e valem a visita. Já a Praia do Saco da Capela, não gostamos muito por causa da quantidade de barcos que param e ficam naquele espaço. 

Restaurantes 
Um problema na cidade é que fora de temporada parece que ela não funciona. À noite era difícil encontrar um restaurante aberto, até mesmo uma churrascaria estava fechada (acredite se quiser). Nossa sorte, foi encontrar o Senhor Boteco Pizza & Grill, com boas opções de comida e um bom atendimento. O garçom inclusive chegou a nos informar que o suco natural que pedimos não estava com a fruta boa e nos sugeriu outra bebida. O prato feito é grande e o preço é melhor ainda, 18 reais. Mas eles tinham também pizzas e self-service no almoço por 15 reais no "coma à vontade".  
Link para o Facebook: www.facebook.com/SenhorBotecopizzaGrill 

No dia seguinte, como queria aproveitar mais da Praia do Julião, almoçamos no Bar e Restaurante Prainha do Julião com uma vista excelente para o mar. O mesmo não posso afirmar dos preços, que são salgados (média de 40 reais cada), mas a comida é muito boa, principalmente os legumes, que são bem saborosos. Aproveite para pedir pratos leves e de sobremesa o mousse de chocolate. Ele foi eleito o melhor bar de Ilhabela pela revista Veja Comer e Beber.
Site: www.prainhadojuliao.com.br/

À noite, decidimos vasculhar o que teria de bom o mini shopping, localizado mais ao centro da cidade, e encontramos o Emirados, um restaurante árabe com vista para a praia. Os preços são altos se você estiver acostumado com o Habbibs, caso contrário, o valor é igual ao de São Paulo. A variedade de esfihas (dependendo do sabor, varia entre 3 e 6 reais) agrada a todos os tipos de paladares, mas o que me chamou mais a atenção foi a folha de uva (28 reais). Com uma boa quantidade, ela vem mergulhada em um molho especial feito somente com temperos árabes. Comemos aqui ainda mais uma vez.
Link para o Facebook: www.facebook.com/emiradosilhabela

E ainda no segundo dia, assim como os restaurantes, as lojas no centro histórico também estavam de portas fechadas. Não todas, mas algumas. Além de ser um local extremamente quente e abafado, os poucos lugares que estavam funcionando colocavam os preços lá em cima. Por isso, a única coisa que realmente vale a pena pela região é o artesanato, que tem muitas coisas baratinhas e bonitas. Mas você pode andar e procurar por lugares mais em conta, como nós que achamos duas lojas, uma de roupas e outra de moda praia, com preços bem mais acessíveis. (Desculpem, mas não lembro o nome delas e nem onde era a rua)

Ilha Adventure Passeios
No penúltimo dia na cidade, fizemos o passeio para a Praia de Castelhanos, eleita a sétima praia mais bonita do Brasil. A agência Ilha Adventure Passeios foi indicada e agendada pela própria pousada. O Guia do passeio, Celso, nos buscou e durante pouco mais de uma hora chacoalhando no Jeep, parou em cada ponto contando as curiosidades e histórias, além de bater muitas fotinhos nossas. Além disso, na volta, conhecemos um riacho e a Cachoeira da Usina. 
A Praia de Castelhanos é praticamente deserta, habitada apenas pela comunidade caiçara e fica do outro lado da ilha. Não existe energia elétrica no local, por isso, leve dinheiro. Para chegar até lá, somente com um veículo 4x4 apropriado ou se você tiver coragem de estragar o seu carro, boa sorte. A estrada é pela mata fechada, com pedras de todos os tipos e tamanhos. Ao chegar, basta apreciar as próximas horas de uma bela vista e um banho de mar.
De todas as praias de Ilhabela, esta é mais bonita, porém, a de mar mais perigoso, com um recuo e correnteza muito fortes. O guia indica as áreas mais seguras e pede cuidado, pois há muitos buracos também. Na outra ponta da praia, o riacho que desemboca no mar, fica parelelo com a praia, formando um lago de água cristalina e raso. Dá para nadar e ficar tranquilo neste pedacinho de céu, mas cuidado com os borrachudos!
Quanto à infraestrutura, não há muita opção de onde comer, mas elas existem. Nós almoçamos no Castelhanos Bar, que com um bom prato de peixe ou frango acompanhado de arroz, feijão e salada, você paga apenas 30 reais. 

Mas voltando aos borrachudos, são o que não faltam em Ilhabela. Apesar de levar repelente (eu usei o Exposis Extreme em Spray), sair e entrar na água o tempo todo não ajuda muito, já que não queria ficar passando o produto o tempo inteiro (me banhava com frequência hahahaha). O resultado disso foram as enormes e várias picadas que levei. Só no primeiro dia, contei 12 e acredito que, pelo último levantamento, foram cerca de 30 no total. "Coça?" Sim, muito. "Alergia?" Sim, ficaram bem vermelhas, até roxeadas em volta, feias. "E ainda assim você gostou?" Simmmm!!!!!

Não me arrependi nem um pouco de ter escolhido Ilhabela como destino das minhas férias. Foi a semana mais especial que tive, as férias mais gostosas e um lugar lindo e maravilhoso que me fez esquecer de todos os problemas! Se você tiver a oportunidade de conhecer, vá. Tenho certeza que assim como eu, vai querer retornar.

Após passar por Ilha das Cabras, existe este espaço para apreciar a vista

Piscina e pôr do sol na pousada

Vista do Pier da Pousada nas escadas


Ilhabela proporciona uma linda vista 

Na Praia do Perequê

Pier da Praia Grande

Praia Grande

Vista da Praia Grande

Vale cada centavo

Praia do Julião

Praia do Julião

Eu e meu amor ao pôr do sol na Praia do Julião

Eu na Praia do Julião

Meu amor procurando os peixes rsrsrs

Peixes que nadavam no raso da Praia do Julião

Lindo lugar para romantismo

Águas cristalinas

Pôr do sol no pier da pousada

Praia de Castelhanos

Lado deserto da Praia de Castelhanos...Atenção! Isso na areia não é sujeira de barco, é simplesmente minério de ferro!

Riacho na Praia de Castelhanos

Riacho da Praia de Castelhanos

Beijo no riacho no caminho de volta de Castelhanos

Pequena cachoeira a caminho de Castelhanos

Cachoeira da Usina