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Crítica: Mulher Maravilha

sábado, 19 de agosto de 2017
Gal Gadot brilha e DC emplaca boa bilheteria nos cinemas

Divulgação

Quando a DC anunciou que teríamos pela frente um filme solo da Mulher Maravilha, já estava me preparando para o pior. Primeiro, porque a heroína nunca esteve no meu top 5 dos heróis, e segundo porque a DC já mostrou diversas vezes que não sabe retratar o seu universo nas telas do cinema. Mas o susto caiu por terra. Wonder Woman é o melhor filme da empresa até aqui.

O mais interessante, no entanto, é que a própria história, apesar de retratar a passagem da Primeira Guerra Mundial, é mais contemporânea do que jamais poderíamos imaginar. Em épocas de “empoderamento feminino”, “feminismo”, “direitos das mulheres”, “luta por igualdade de gênero”, vemos na tela a beleza de Gal Gadot expor brilhantemente uma atuação impecável, colocando à toda prova uma mulher extremamente feminista, de uma delicadeza natural e uma força descomunal.

No início vemos a infância de Diana, protegida por sua mãe, treinando as escondidas com sua tia Antíope. Com o desenrolar da trama e o encontro com Steve Trevor (Chris Paine), ela descobre um novo mundo, muito mais sombrio e cruel, onde pessoas se matam em nome de uma Guerra que parece sem fim. A confusão da personagem em entender este novo mundo chega a ser hilário e rende algumas – poucas, mas boas – risadas.  Isso porque a ingenuidade e inocência dela diante do cenário da época já é o suficiente para aliviar a tensão que servirá como um boom para o grande final.

Diferente dos filmes que se seguiram com Batman e Superman, as cenas de luta, batalha e pancadaria não são sem sentido, sem nexo e nem estão ali apenas para fazer o filme durar alguns minutos. Em “Wonder Woman” elas realmente tem um propósito. E não há sensação mais libertadora e emocionante do que ver a primeira grande cena da Mulher Maravilha no campo de batalha – a primeira heroína que não veste uma roupa super justa, que seus atributos físicos não servem de chamariz para as câmeras, e muito menos que ela precisa ser protegida em algum momento.  Esqueça tudo o que você já viu sobre isso até aqui e esteja pronto para embarcar nas passadas de uma verdadeira amazona.

Esta Diana é também mulher. Tem seus desejos, seus amores, suas emoções e suas fraquezas. E quando suas fraquezas estão expostas, quando suas convicções começam a cair por terra, é Steve quem aparece para lhe “socorrer”, não como o príncipe salva a princesa, mas como o homem que apoia a mulher para não cair. A partir daí o que vemos nas telas é uma imensa chuva de emoções: choro, raiva, tristeza, dor, esperança, convicção e alegria. Se em algum momento a DC pecou neste filme, ficou apenas por conta de alguns pequenos efeitos especiais – principalmente em Temiscera – que ficaram com uma qualidade abaixo do que é esperado por um longa destes. Mas você nem vai se lembrar disso até o final.

É extremamente curioso que “Wonder Woman” também possui à sua frente outra protagonista mulher, a diretora Patty Jekins. No fim até nos questionamos “Por que tanto tempo para sair um filme desses?”. Por que a DC demorou tanto para acertar aquilo que a Marvel faz tão bem há anos? E a Marvel com certeza vai seguir o mesmo caminho com Viúva Negra, não há dúvidas. Resta saber se a DC manterá a qualidade de enredo sem se preocupar demais com a “pancadaria” desnecessária e se a Marvel dará o mesmo tom menos “sensual” às suas personagens.

Como disse anteriormente, em tempos de “feminismo” e “empoderamento” é bom ver e testemunhar que a luta vale a pena, mas é também muito bom ver que não é preciso extremismos e radicalismos. Mulher Maravilha mostra, acima de tudo, que é possível combater sem se envolver na sujeira. 

Crítica: Mistborn: Nascidos da Bruma

quarta-feira, 14 de junho de 2017
Sanderson continua com a narrativa afiada mas coloca seus primeiros erros em ação na trilogia



Brandon Sanderson é, talvez, um dos autores que mais causam euforia nos grupos de leitura. Ele deve ser um dos grandes nomes da fantasia atual que vai perdurar alguns bons anos na memória dos leitores, e não é para menos. Após o lançamento do volume único de Elantris (que você pode conferir a crítica neste link), é pouco viciante para quem lê, querer continuar com a mesma qualidade de narrativa em suas próximas aventuras. Com uma proposta diferenciada, porém ainda no cenário da fantasia, a série Mistborn: Nascidos da Bruma tem muito ainda que nos surpreender.

De seu primeiro volume, O Imperial Final, ao último, O Herói das Eras, os cenários continuam os mesmos fisicamente, mas o enredo inteiro se transforma – o que dá uma idéia de cronologia um pouco diferente do que ocorre, na verdade. A impressão é que se passaram décadas entre um e outro, e não apenas um ano ou dois. Mas isto é apenas uma sensação. O Império Final traz como protagonista uma personagem feminina, Vin, que quebra todos os esteriótipos de donzela, princesa ou mais recentemente, de damas inteligentes e manipuladoras. Vin é simples: uma criança que cresceu entre ladrões, se precavendo do universo masculino, da nobreza, da confiança e da amizade. Porém, ela se descobre ser uma Nascida das Brumas, um dos pouquíssimos alomanticos com o poder de controlar todos os metais - assim como Kelsier, o líder da rebelião ska (digamos, os pobres) que luta contra a nobreza e o sistema criado pelo Senhor Soberano.  Mistborn é, portanto, pura lógica e magia. Em meio a todo este processo, há Elend Venture, filho de um nobre e herdeiro de uma das Casas mais influentes do Império, que é justamente o contrário de Vin no quesito de “quebra de esteriótipos): um grande cavalheiro, inteligente, charmoso, bonito, justo e bom.

Como o objetivo aqui não é dar spoilers, é preciso seguir sem contar nada que possa estragar a história para o leitor. Se você espera pelo óbvio, esqueça. Mistborn é cheio de “pegadinhas” que te jogam a outros pensamentos, afastando-o do verdadeiro fim. São diversos personagens e raças que possuem suas próprias histórias para contar e Sanderson consegue fazer com que todas elas se choquem em um final impressionante. Mas veja bem, impressionante não quer dizer excepcionalmente bom. A partir do segundo volume, O Poço da Ascensão, o autor começa a ditar o ritmo onde a magia é importante, mas a religião é quem comandará a série como um todo. Personagens chatos que poderiam muito bem nunca terem existido, estão ali. Outros tão bons parecem perdidos em um ar carregado de falsos cenários políticos e lutas. E apesar das coisas começarem a se encaixar, a mente do leitor divaga um pouco, acreditando que sua idéia original seria um final melhor, embora mais previsível.

Mistborn deixa claro que uma boa história com personagens mal desenvolvidos ou escritos podem ser um grande problema. Afinal, o que fazer quando você, leitor, acredita que apesar desses problemas o fim será muito, mas muito *demais*, e chega ao fim e diz: “Ah, nossa! Legal, mas precisava ser assim mesmo?”. Brandon Sanderson se empolgou muito e perdeu a mão na hora de encerrar a sua série com chave de ouro. Há opiniões diferentes, é claro. Muitos adoraram, outros nem tanto.

De fato, ele consegue entregar todas as pontas soltas dos três volumes, muito bem amarradas e acredito que, assim como no meu caso, o final te fará refletir em inúmeras outras coisas: religião, criação, universo, vida, morte, conhecimento, ignorância, poder, e sinônimos de tudo isso que nem sempre querem dizer a mesma coisa. Mistborn é bom? Sim. Vale a leitura? Claro. Mas ainda falta a mesma “sensibilidade” e o toque sutil aos personagens que foram tão bem criados em Elantris. 

Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

 Apesar de derivar de Harry Potter, mundo mágico retorna às telas de um modo diferente e mostra independência 




Fazer uma crítica ou resenha de Animais Fantásticos e Onde Habitam não é uma tarefa fácil para alguém que acompanhou e leu toda a história de Harry Potter. O mesmo vale para todos os envolvidos na produção. Levar o legado do bruxo mais famoso do mundo é como carregar um fardo: não pode ser igual, pois faltará a originalidade; não pode ser diferente, pois se trata do mesmo mundo; e ainda correr o enorme risco de um grande fiasco. O desafio era, portanto, gigantesco.

Um desafio que na verdade parece mágica nas mãos de J.K. Rowling. Se você vai ao cinema assistir Animais Fantásticos e espera ali encontrar uma pontinha de “Harry Potter”, esqueça. Claro, há referências, objetos, nomes – mas, definitivamente, não estamos vivendo a mesma coisa. E isto é o que há de mais fantástico, pois acabamos entrando em um novo mundo bruxo, onde não sabemos o que vai acontecer ou quem são aqueles personagens. Apesar de existir a base, para qualquer um, fã de Harry Potter ou não, isto é novo. Não há como deixar de se impressionar com a quantidade de coisas – que nós sempre julgamos conhecer. 

O público do lado de fora representa bem a evolução dessa geração. São namorados, maridos, esposas, mães e filhos (não crianças, vejam bem), velhos amigos, em novas etapas de suas vidas, já crescidos. E neste novo longa não estamos falando do primeiro amor, da “escola”, das “aventuras” – estamos falando de guerra, intolerância, julgamentos. Enfim, uma saga que cresceu junto da geração que a acompanha. 

Eddie Redmayne, vencedor de um Oscar, transmite pela tela exatamente aquilo que se espera do protagonista Newt Scamander. Mas é Dan Floger, o não-mágico, que vai conquistar o público com uma atuação cômica e ainda assim, pura em sua essência. Com ele, nada parece forçado, ao contrário da personagem Queenie, da qual, diga-se de passagem, não me cativou muito. O enredo não peca: muito mais sombrio, tenso e maduro. Óbvio que não se fala somente de animais fantásticos que fugiram da maleta de um bruxo que os estuda e causam confusão em New York. Este é apenas o pretexto para algo maior que acontece ao fundo.

É o que dará o pano para a manga em todos os próximos quatro filmes já confirmados. No entanto, surpreende por aparecer tão cedo. Precoce? Talvez. Porém, sem dúvida é de sentir um frio na espinha quando você observa a tela mudar e...Isso realmente aconteceu? Ousado em um primeiro momento e óbvio alguns instantes depois. Mas não perca seu tempo tentando encontrar ali todas as referências a Harry Potter, pois elas quase não existem. Afinal, os efeitos em 3D dos animais e da destruição em si são muito bons e valem a sua imersão. Dá vontade de entrarmos naquela maleta junto com Newt e cuidarmos de todos eles! 

Ainda assim, o filme não é perfeito. Peca nas lutas com varinhas. Falta mais emoção, mais feitiços complexos, mais vontade – As varinhas são pouco usadas e são elas, afinal de contas, que representam um bruxo. Deixou a desejar neste quesito, mas nada que afete a obra como um todo. Transformar um pequeno livro-catálogo de 63 páginas em um filme de quase 3 horas também não deve ser fácil e algumas coisas acabam ficando pelo caminho, naturalmente. Animais Fantásticos e Onde Habitam é, portanto, um longa introdutório para histórias ainda mais complexas e obscuras que escutamos por cima, sem muitos detalhes. Não há nostalgia, não se prende a algo anterior. J.K. Rowling nos descortina um mundo novo e a única coisa da qual podemos ter certeza sobre isso, é que não teremos a certeza de mais nada.

Link da matéria original no meu site: http://www.etamundobom.net.br/2016/11/animais-fantasticos-e-onde-habitam.html 

Crítica: Capitão América: Guerral Civil

domingo, 1 de maio de 2016


É improvável que alguém não vá gostar de Capitão América: Guerra Civil. Você já deve ter lido muitas críticas pela internet e com certeza testemunhou que o filme realmente é bom. Pois bem, tudo o que você já leu até aqui é verdade! Desde o clichê "melhor longa do que Batman vs Superman", até as características típicas dos filmes da Marvel, "engraçado" e "excelentes cenas de luta".
Será que a Marvel tem uma receita para elaborar tudo isso? Na verdade, não. Ela testou um formato que deu certo desde o princípio e aprendeu a desenvolver os roteiros, inclusive de heróis menos badalados como "Guardiões da Galáxia" - que na minha opinião tem a melhor trilha sonora em perfeita sintonia com o filme.
No entanto, Guerra Civil não é, como alguns dizem, um longa dos Vingadores. Mas é, e muito, uma história do Capitão América. Assim como não vou fazer aqui, não recomendo que alguém leia críticas com spoilers (afinal que graça tem?), mas se você quer ir em frente mesmo assim, pode ir. Em parte, você estará sabendo de tudo que acontece, porém, não vai esperar a forma como acontece e isso é o ingrediente que torna essa mistura de heróis tão bem combinada. 
Nenhum deles está ali nas telas por acaso, não foram simplesmente jogados por que tinham que ser jogados, não aparecem ali porque é simplesmente legal. Não, esqueça essa poção mágica falha da DC. Cada um dos novos heróis são muito bem inseridos na trama e alguns proporcionam momentos hilários, deixando bem claro que poderiam apoiar qualquer um dos lados. 
Falar do Homem Aranha a esta altura do campeonato seria clichê da minha parte, até porque, apesar da grande expectativa em torno dele, minha surpresa foi por outro personagem. Nem mesmo no seu filme solo o Homem Formiga conseguiu me conquistar, em termos de simpatia pelo personagem, tanto quanto em Guerra Civil. E no final das contas, ele foi muito mais útil ao time Capitão América, do que o Homem Aranha foi ao time Homem de Ferro. 
A maior jogada do filme está justamente na receita de saber colocá-los e tirá-los de cena. Foi como um "Chega, está bom de aperitivos. Vamos guardar o resto para mais tarde". Excelente! Sem exageros, o filme cumpre o seu papel com ação e diversão bem equilibrados. É verdade que sentimos um pouco de falta daquela tensão do conflito, e acredito que seja porque só estamos esperando para vê-los juntos em um único momento épico, mas isso não faz diferença.
Guerra Civil é uma lição de moral, inteligência e você diz "isso faz sentido". Tudo faz sentido e é muito bem construído. E ainda mostrou que vem muito mais por aí. A Marvel não se cansa nunca de fazer bons filmes. Bom pra nós. 

Crítica: Spotlight: Segredos Revelados

domingo, 27 de março de 2016
Filme "Spotlight: Segredos Revelados"

Definitivamente este não é o filme para ganhar o Oscar de Melhor Filme. Este é o filme feito para ganhar a razão e a emoção. Spotlight: Segredos Revelados, que concorreu à premiação nesta categoria, não venceria realmente. A sua proposta é a de ser um roteiro muito bem adaptado e prender a atenção do público em cada mínimo detalhe.
É impossível que uma única pessoa seja capaz de percebê-los e a maioria com certeza deixará muitos deles passarem batidos. A grandeza do filme está justamente na sua complexidade em tratar a realidade nua e crua, tal qual é. O longa conta a história da equipe de jornalistas que investigam os casos de pedofilia na Igreja Católica que ouvimos nos noticiários em anos anteriores - Sim, estamos falando da vida real - e requer muita concentração nos diálogos bem estruturados e nas cenas mudas, que podem dizer tanto quanto aquele momento de debate sobre pautas. 
Spotlight não é aquele filme que busca simplesmente retratar o jornalista como o herói que salva o dia. Não há espaços para clichês. Não há espaço para mais do mesmo. Não há espaço para a pura emoção e a banalidade com que muitas vezes o cinema a usa para fazer o público chorar. O objetivo é falar da realidade, e a realidade é dura como uma pedra.
O caso de pedofilia nesta que se diz a mais santa igreja, se torna coadjuvante perto de outra questão muito bem explorada pelo diretor Thomas McCarthy: somos seres humanos, às vezes cegos pelo egocentrismo, às vezes usados por um sistema de interesses e às vezes apenas humanos. São tantas questões, tantos temas que podem ser vistos jogados aos nossos olhos, cena após cena, que seria impossível uma crítica breve e curta. É imprescindível a observação, mas claro, um jornalista de verdade verá de um jeito. Outros, de outras profissões, verão ainda de outra forma.
O que se pode afirmar, de uma maneira geral, é que o longa é uma crítica e ao mesmo tempo um apoio à imprensa. Em tempos de crise política, como esta que o Brasil vive atualmente, estamos divididos entre contra e à favor de algo ou alguém, e neste meio estão os veículos de comunicação, tido como "manipuladores" de informação. Spotlight chega para posicionar de uma vez por todas o que é a imprensa: 
1. Essencial para expor e trazer a público o que é do público. A equipe que move um veículo de comunicação, tenha ele mais ou menos influência, pode mudar a história! Pode colocar nomes nos culpados, pode revelar segredos obscuros, pode tocar o dedo na ferida e fazer doer (e muito!). A imprensa é o único meio que dá voz à população.
2. O jornalista é humano. Ele erra, ele se engana, ele deixa passar. Impossível ser perfeito em uma profissão onde a própria reunião de pauta é um "filtro" dos assuntos - ou seja, fatos importantes serão ignorados - e a própria imprensa, que faz parte de uma indústria da comunicação, precisa saber vender e ter lucro.
Spotlight retrata exatamente isso. O quanto somos humanos dentro de um sistema imperfeito. O quanto ainda precisamos saber refletir na enxurrada de informações que nos batem a porta minuto a minuto, sem dar grande valor ao que ela carrega. O quanto necessitamos saber a hora de abaixar a câmera, o bloquinho e a caneta, e aprender a observar o que acontece no interior do outro - desconhecido ou familiar -, e no nosso interior. 
Não é um filme para se chorar, mas confesso que me emocionei. Me emocionei porque sou jornalista e recapitulei mentalmente quantas histórias passaram por mim que ninguém nunca irá saber ou conhecer e sempre me perguntei quantas ainda estão por aí sem serem contadas. O que é esse mundo engessadamente corporativo que nos diz que a emoção não deve ser expressada? O que é esse mundo que nos obriga a viver apressadamente sem saborear os detalhes? O que é esse mundo que tem tanto poder nas mãos e tantos problemas psicológicos na cabeça?
Spotlight é para nos trazer de volta à vida, ou melhor dizendo, nos fazer reviver a história sob uma nova perspectiva. É pensar. É refletir. É se emocionar. E finalmente agir, sem medo. Spotlight lembra a mim (e a qualquer outro jornalista, tenho certeza) o quanto somos humanos e do motivo pelo qual escolhi esta profissão... E neste momento, só tenho a agradecer por isso. 

Crítica: Como Eu Era Antes de Você

domingo, 14 de fevereiro de 2016
"Como Eu Era Antes de Você", romance da autora Jojo Moyes logo mais será mais um livro a ir para as telonas do cinema. Já havia visto ele antes nas estantes e cheguei a ler a sinopse, porém, vamos dizer a verdade: Aquela capa e aquele "jeito" de história de novela mexicana não eram atraentes. Algo muito abstrato e que me pareceu ter um certo drama de amor incompreendido.



O que se pode esperar do livro? Bem, existem mil leitoras por aí que vão dizer que é excelente, ótimo, emocionante. Na minha análise, após o término do capítulo final, eu apenas diria: é um bom livro. Para o meu estilo de romance, Jojo Moyes precisa caprichar um pouco mais nos seus finalmentes. A impressão é que ela teve que terminar a história correndo, deixando o fim um triste gosto de "Ok, foi emocionante, mas só isso?". Sim, eu esperava mais desse final.
"Como Eu Era Antes de Você" narra a vida pacata de uma jovem de 27 anos chamada Louisa, que desempregada, começa a trabalhar para o tetraplégico Will Traynor - um jovem rapaz acostumado com uma vida de viagens, trabalhos e esportes. Não é preciso dizer que, diante deste fato trágico, Will quer ter o suicídio assistido como alternativa para acabar com o seu sofrimento e a sua dor. O que é um ponto positivo da obra é justamente a descaracterização do "príncipe encantado" - Will está longe de ser um homem perfeito. Ele é grosseiro, arrogante, rude, e até diria que lhe falta um pouco de educação e consideração com as pessoas. Muito diferente de Louisa, simples, gentil e infantil (a famosa "menininha que ninguém nota a não ser pelas roupas fora de moda"). E ela encara isso como uma missão para convencer Will de que vale a pena viver.
É assim que os dois se aproximam e apaixonam um pelo outro e justamente nesse instante, quando você pensa que as coisas vão andar, elas começam a se desencontrar. Apesar do livro estar em um bom tamanho, Jojo Moyes demora demais para fazer a carruagem andar. Ela poderia ter economizado palavras em alguns capítulos sobre os pensamentos e devaneios de Louisa, que diga-se de passagem não possuem nada de interessante, e dar mais valor aos acontecimentos que vão fazer jus ao título da obra. Além disso, poderia ter abordado mais assuntos relativos aos tetraplégicos, fazendo com que você pudesse mergulhar no mundo deles, sentir-se na pele deles e poder afirmar por si mesmo se a atitude de Will era boa ou ruim - pois do jeito e forma como foi, pareceu algo muito ruim. Mas o fato de termos um personagem masculino deficiente coloca o tema em evidência e discussão, o que já é um fato positivo. 
Ao meu ver, a autora tinha tudo para fazer uma história fantástica, nos emocionar muito mais, nos fazer saborear esses momentos até que nos acabássemos de lágrimas com o fim, soluçando sem parar. Ela tinha enredo para isso, mas ficou somente no "comum", sem surpresas - isto quer dizer, nada além do que eu já esperava. E quando finalmente isso vai acontecer, acontece em uma página ou duas e pronto. Deixa a tristeza, mas nada que me prenda ou me faça refletir. Terminei com a sensação de algo pouco explorado, um vazio sem fim. 
O livro é apenas bom.

Game of Thrones: o maior sucesso ou o maior fiasco?

sábado, 20 de junho de 2015
(Atenção, este post tem spoilers!)

Jon, Arya, Tyrion, Bran e Daenerys

Game of Thrones. Você pode não assistir, mas com certeza já ouviu falar. Pode não gostar, mas já ouviu comentários. Pode achar que tudo não passa de moda, mas não pára de ver a imprensa falar dela. Uma coisa é verdade, Game of Thrones é A Série.
No último domingo, a 5ª temporada terminou de forma avassaladora para os despreparados e como já estava cansada de ler tantas críticas e análises sem conhecimento algum dos livros (sim, nós percebemos!), vamos fazer um apanhado geral. 
Game of Thrones criou barreiras enormes e dividiu o seu próprio público em três partes: os leigos que não leram os livros, os leitores comuns e os leitores fanáticos que acham que sabem tudo que está nas entrelinhas. E as brigas e discussões entre esses grupos chega a ser de uma ferocidade digna de dar pena! Enquanto os leigos sofrem por qualquer coisa que aconteça, os leitores se digladiam nas redes sociais com suas mil e tantas teorias. Tudo isso porque o bom velhinho (notem a ironia), George R.R. Martin, é muito lento para escrever o 6º volume e a TV chegou nele muito rápido - tanto que não tinha mais o que fazer a não ser cada um seguir o seu rumo.
A partir daí surgiu a famosa frase "os livros são os livros, a série é a série" e o público se dividiu novamente entre os criticam os roteiristas e diretores e os que os defendem. Os episódios passaram então a dar os maiores spoilers do que não se sabe nos livros - o primeiro deles sobre os Caminhantes Brancos transformando um bebê e mais tarde com novas aparições, quando no mundo literário não se sabe praticamente nada sobre eles ou ainda como são criados e derrotados. A TV optou por esquecer núcleos (Os Greyjoy que o digam), dizimar outros (Baratheon, bye bye), fazer com que peças chaves se tornem apenas mesquinharias (Dorne...Dorne), inverter as histórias dos personagens (os que morrem, vivem nos livros; ou os que não fazem nada tem um grande papel na TV). Fato é que rodaram, bailaram, sambaram e foram todos para o mesmo lugar: o final de "Dança dos Dragões".
Todos já estão acostumados com os choques de Game Of Thrones, mas esta temporada foi ainda pior. A internet ficou louca com as mortes e abusos desnecessários e realmente foram desnecessários. Às vezes costumo parar e pensar em certas cenas e digo "Pra quê isso? O que isso vai mudar afinal? O que custa?".
Sansa Stark nunca se casou com Ramsay Bolton. Meu Deus, onde foi parar a falsa Arya que foi designada como sua esposa? Onde está o povo do Norte que jurou lealdade à eles e se juntaram com Stanis Baratheon para tomar o reino de volta? E ninguém sabe o que ocorreu nessa batalha ainda. Mas a série já deu seu veredicto: ele perdeu e parece que morreu - pelas mãos de Brienne! Brienne que ficou lá esse tempo todo esperando ascender uma vela na janela e no final não estava mais lá! 
Tyrion Lannister e joguinho de conversas com Daenerys Targaryen seria até bem interessante, algo que os leitores esperavam por muito tempo (e que nunca aconteceu nos livros), mas certamente não dessa forma. Ou você acredita que quando eles se encontrarem nos livros a situação será assim tão simples de ser resolvida? "Os livros são os livros, a série é a série". Claro, estou sendo bem superficial. Se fosse entrar nos mínimos detalhes estaria por aqui na próxima semana inteira ainda escrevendo.
Bran ficou esquecido (sua história já tinha dado tudo o que podia na temporada anterior), mas foi pouco explorado para explicar sobre o "warg". Seria essa a intenção da HBO? Todo o mistério que não foi feito com os Caminhantes Brancos, é feito com o fato dos Starks poderem trocar de corpo - ser um warg. E nisso se resume todas as teorias de Westeros, a esperança que leitores e espetadores procuram manter para uma teoria final, perfeita e feliz, Mas lembrem-se, estamos falando de Game of Thrones. 
Portanto, todos esses choques, mortes, conversas fiadas deixaram esta como a pior temporada da série até aqui. Completamente estagnada, os roteiristas não sabiam mais o que fazer. Tinham que enrolar muito para não contar as cenas principais logo de início e por isso tivemos muito papo e pouca ação. Mas lembrem-se, estamos falando de Game Of Thrones. 
Eis que do nada, o amado bastardo Jon Snow decide buscar os Selvagens para salvá-los de um terrível desastre e testemunhamos a batalha épica! Uma cena que não acontece nos livros e criada totalmente para a TV, minutos de muita adrenalina, o espanto, aquele bom de ser sentido, que fazem você levantar do sofá e gritar, torcer! A melhor batalha já produzida, de deixar qualquer fãzinho de The Walking Dead no chinelo pensando que está assistindo a algo realmente bom. São por essas cenas inesquecíveis que vale a pena assistir Game of Thornes. Simplesmente fantástico! A mídia babou, os leitores babaram, os leigos babaram e nós finalmente fomos UM. E Jon escapou ileso. Lindo! Só que nem tanto.
No final, o último minuto da última temporada, uma traição dolorosa de ser vista... E se nos livros há alguma esperança, a série também deixou...E se nos livros há muitas perguntas, a série também deixou. A intenção foi essa, fazer com que todos, igualmente, ficassem na dúvida. Na literatura, Jon desaba, escuta Fantasma (o seu lobo) uivar e pronuncia seu nome, o que levantou a possibilidade dele ser um warg e não ter morrido de fato. No episódio, ele simplesmente cai e não diz nada (aliás, alguém aí viu os Lobos???). Assustador? As reações foram exageradas. Muitos lembraram que a "feiticeira" Melissandre voltou a Castelo Negro, do qual ela nunca saiu na história original, e pode ressuscitá-lo. O ator afirmou que morreu de verdade e não voltará mais na série. Mas também já saiu por aí a notícia de que ele renovou contrato até a 7ª temporada. 
O que não ouvi ninguém falar (e se alguém falou, diga por aqui também), foi algo que reparei após alguns minutos do término desse episódio: os olhos de Jon mudam de cor, de castanho escuro para algo mais claro, como um verde ou azul. Seria essa a pista?

Se o personagem morreu, assim como supostamente também ocorreu com Stanis, foi a maior burrada da história da HBO. Assim como foi a maior parte do que eles fizeram nesta temporada. Muitos criticaram os fãs que queriam a sequência similar a dos livros, mas a verdade é que nunca vimos algo se provar tão verdadeiro quanto sabemos agora, de como a literatura é infinitamente superior a meras imagens e de como elas não conseguem seguir o próprio caminho sozinhas. Então apenas peço, HBO pense duas vezes antes de escrever a próxima temporada antes do lançamento de "Os Ventos do Inverno" e Martin, termine isso logo, por favor!


E você, o que achou? Jon Snow realmente se foi para sempre? Seja qual for a sua opinião, tenho um conselho para te dar...

"Os livros são os livros. A série é a série."





Crítica: Quem é você, Alasca?

domingo, 7 de junho de 2015


É deprimente pensar que autores famosos conseguem sucesso com algo tão pobre quanto John Green conseguiu com Quem é você, Alasca?. Você se lembra daqueles filmes americanos tipicamente adolescentes, do estilo American Pie? Nisto se resume a história desse livro. Um garoto normal que se envolve com amigos malucos, uma garota maluca, fumam, aprontam sua travessuras como um bando de crianças que estão sem a vigilância dos pais.
Afinal, isto me faz pensar em como ser detalhista pode ser tão irritante ou o quanto a psicologia moderna pode beirar a loucura e a insanidade, o que revela uma informação interessante sobre o autor: a de que ele não sabia o que estava fazendo, ou melhor, escrevendo. O pior de tudo isso? É tentar entender o motivo pelo qual ele entra na lista dos mais vendidos - Na verdade há uma resposta e se chama "A Culpa é das Estrelas".
Quando temos disponíveis nas prateleiras outros tantos livros incríveis, muitas pessoas gostam e aprovam a psicologia barata da adolescência americana e caem na, vamos dizer assim, "modinha" do momento. Desde quando será que os autores passaram a falar tanto dos detalhes? Existem tantas descrições em Quem é você, Alasca? que as páginas ficam carregadas de informações inúteis para a história, coisas que não levam a lugar nenhum e não dizem nada sobre os personagens. É de dar sono.
Chegamos nas partes que geralmente os bons leitores sabem apreciar, a arte de desenvolver a complexidade dos personagens no texto. Sim, pois isso é uma arte e um ingrediente essencial que pode tanto ser um sucesso quanto um grande fiasco. Se não colocado na dose certa, tudo vai por água abaixo. Infelizmente é preciso dizer que John Green necessita de aulas sobre este assunto. Certamente que descrever sobre "as últimas frases" ditas antes de morrer, uma linda paisagem vista pela janela, seguir sempre o colega ou se apaixonar pela garota mais óbvia do mundo, está longe - muuuuuitooooooo longe - de falar ao leitor sobre a mentalidade daquele ser humano imperfeito que acompanhamos página após página.
Ele precisava aprender um pouco com Patrick Rothfuss sobre isso; com George R. R. Martin sobre detalhes; com Kaled Hosseini sobre cultura; com J.R.R Tolkien sobre ritmo; e para não dizer que fui tão longe assim de seu universo, com J.K Rowling sobre aventura adolescente. Sei que o autor é quase um "queridinho da turma", mas se você acha ele bom, precisa se aventurar em fantasias e romances de verdade. 

Crítica: O Nome do Vento (A Crônica do Matador do Rei)

domingo, 17 de maio de 2015


Com uma narrativa simples, um enredo místico, personagens complexos e cenários exóticos, Patrick Rothfuss misturou em um caldeirão todos os ingredientes que eu sempre acreditei que as histórias de fantasia e aventura deveriam ter: realidade e magia. O título por si só já me agradaria, pois afinal O Nome do Vento é uma junção de coisas inexistentes, magia, romance e mistério, unidos em um personagem que se acha tão comum quanto o leitor que o lê.
Alguns capítulos são narrados pelo protagonista e outros por um terceiro ou quarto personagem que acompanha a história de vida dele e nos mostra diferentes pontos de vista da sua personalidade. Kvothe, que no início não passa de um simples estalajadeiro se revela, na verdade, um exímio "alquimista", "mago" - ou seja lá o que você preferir chamar -, dotado de uma inteligência peculiar e uma prematuridade em tudo que coloque as mãos. Enquanto em sua narrativa diversas vezes ele "se mutila" e faz questão de não dizer que é um homem bom ou santo, e que ainda assim conseguimos perceber que ele é um sábio, os demais personagens nos revelam o caráter um homem íntegro, mas que ao mesmo tempo é extremamente temido. No fundo, o leitor sabe de todos os medos e criancices de Kvothe e simultaneamente o admiramos por, apesar disso tudo, tomar a coragem e jamais admitir a dor para os que estão à sua volta.
Aprendemos a admirar a sua personalidade, a compreender as suas emoções e às vezes até enxergamos a nós mesmos. Mas, por outro lado, ele se revela um personagem complexo, com traumas profundos cravados em sua memória e na sua pele, envolvido em mistérios, mortes, lutas e fatos que ainda não são bem explicadas neste primeiro volume da série A Crônica do Matador do Rei.
O Nome do Vento seria um livro quase perfeito se não fosse pela existência de Denna, a garota que faz seu "flerte" com qualquer homem do vilarejo e pela qual Kvothe deixa a astúcia de lado para peregrinar a sua procura incansáveis vezes. As cenas que se passam após um casamento desastroso (não vou dar spoilers aqui, ok?) em que os dois investigam os acontecimentos são chatas e particularmente, Denna não é mulher para esse tipo de enredo. O seu amor parece mais um oportunismo para que ela ganhe destaque na história do "herói".
Enfim, após ter visto a morte de toda a sua trupe - ele é um artista! - e de seus pais pelo que chamam de Chandriano, um demônio, viver miseravelmente em uma cidade suja e conseguir entrar na Universidade onde aprende todas as magias, Kvothe nos faz torcer do começo ao fim. Rothfuss criou um personagem de inteligência sagaz, uma coragem ácida e que ao mesmo tempo possui esse humor negro, mais negro do que humorístico, um lado sombrio onde todos o temem e o bobo apaixonado que é capaz de tudo por uma mulher.
São mais de 600 páginas para que o leitor se encante por sua historia e tente, nas entrelinhas, desvendar o que virá a seguir. Que tente decifrar o que esse Kvothe mais velho e experiente possui de tão diferente do menino que era, ou se de fato ainda não são a mesma pessoa. Que tente entender os mistérios do Chandriano ou ainda, popularmente falando, "qual é" a de Denna no meio dessa confusão. Patrick criou o personagem que todos gostaríamos de ser um pouco e que se mostra tão humano e imperfeito quanto somos na vida real. Temos um personagem que não nos apaixonamos, mas aprendemos a admirar e respeitar. E é por isso que a próxima parada é O Temor do Sábio, sem pensar duas vezes.

Críticas: "A Arma Escarlate" e "A Comissão Chapeleira"

domingo, 8 de março de 2015
A literatura estrangeira toma conta das prateleiras de qualquer estante. Assim como em todos os demais campos - cinema, programas de TV, desenhos, etc - a literatura nacional é sempre tida como o clichê, a cópia de tudo que é apresentado lá fora. Com A Arma Escarlate não é diferente, mas ao mesmo tempo é.



J.K. Rowling, a autora de Harry Potter, inspirou milhões de crianças e adolescentes a criarem as suas próprias historias e durante uma entrevista foi bem clara ao dizer que qualquer um poderia criar o seu universo mágico. Foi um "fiquem à vontade" e o ponto de partida inicial para que Renata Ventura desenvolvesse uma história sobre o mesmo mundo bruxo adaptado as condições brasileiras: costumes regionais, escolas com ensino deficiente, lendas da cultura como o saci e a mula sem cabeça, favela, paixão e drogas. Na história, Hugo é um menino que tem vergonha de onde vem, descobre que é bruxo, adota outro nome, pega uma varinha (aparentemente super poderosa) sem pagar e começa por fazer diversas coisas erradas.
Li  A Arma Escarlate na esperança de ver que a literatura nacional fosse mais do que um clichê e que pudesse, de certa forma, também mostrar o que há de bom em ser brasileiro. Infelizmente, pelo menos neste ponto, tive uma certa decepção. Os pontos "podres" do Brasil são inúmeros e sabemos disso, mas não somos únicos - Ou será que alguém acredita em toda a magia perfeita que existe na Europa? Nos EUA? Qual o real motivo de termos eles como exemplo e não nós mesmos? Eles também sabem de seus erros e pecados, mas não mostram descaradamente para o mundo. Isso certamente precisamos aprender com os americanos e europeus. Todos sabem que o sistema de saúde dos EUA é precário se comparado até mesmo aos daqui, porém, ninguém diz.
Colocar em um livro os tiroteios, mortes e o vício das drogas é bom por um lado e péssimo de outro. Porque não mostrar o lado bom do Brasil? Caímos novamente naquele velho pensamento de que no Brasil só existe isso: Favelas, bandidos, corruptos, drogas e carnaval. Por isso, Hugo é um personagem detestável, arrogante, petulante, um anti-herói. Tenho certeza que Renata Ventura desenvolveu o enredo pensando justamente nisso, pois não acredito que a intenção dela fosse outra a não ser montar esse cenário e essa caricatura de pessoa que são realidade em nosso país. 
Tive apenas um motivo para continuar a saga e ir adiante para o segundo volume, A Comissão Chapeleira. 



E esse motivo tem um nome: Capí. Capí é simplesmente aquele ser humano que nós desejamos ser ou que pelo menos queremos ter como amigo e companheiro. Capí é a personificação do que há de melhor no mundo e em suas palavras encontramos os conselhos e a esperança que muitas vezes sonhamos em ouvir. Capí é um personagem que nos faz termos vergonha de nossas ações, que nos emociona e que nos inspira a sermos diferentes. Ele é tudo o que sempre busquei encontrar no meu íntimo e no das pessoas ao meu redor.
As melhores frases são dele. Os diversos conselhos e "segundas-chances" que ele dá a Hugo muitas vezes é aquilo que você precisa ouvir também. Afinal, todos somos um pouco Hugo, um pouco Capí, um pouco Viny, um pouco Abelardo, um pouco Caimana...A Comisão Chapeleira prende do começo ao fim e te desperta de uma forma que não senti em A Arma Escarlate. Você consegue respirar a tensão e ao mesmo tempo a tranquilidade. Torce - e muito! Confesso que em determinado momento cheguei a pensar: "Não Renata, você não fez isso, pelo amor de Deus!" (quem leu sabe do que falo) e se ela tivesse feito, certamente eu mesma teria ido atrás dela e tiraria minhas satisfações (a conheci na Bienal 2014). 

Eu e Renata Ventura

Enfim, é bom ver o mundo bruxo de volta, mas melhor ainda é ver que existem personagens que nos inspiram. Vamos além: o melhor de tudo é ver a literatura nacional abrindo novas portas para os leitores da fantasia. Que venham mais livros!

E por favor, que deixem o Capí em paz. 

Os 50 tons da ignorância

sábado, 7 de fevereiro de 2015
Cartaz do filme Cinquenta Tons de Cinza

Por algum motivo sem muita importância, ser diferente é errado. Ou seja, ser você mesmo é um pecado mortal, do qual diariamente tentamos fugir para nos encaixar em alguma "tribo". Mas isto é ignorância: Ser guiado por algo "tradicional", que não foge aos meios e aos fins, que afirmam sobre a liberdade, mas a recriminam quando expressada. Assim é que vem surgir a enorme polêmica sobre o filme "Cinquenta Tons de Cinza".

O longa, que estreia no dia 12 de fevereiro, levantou uma onda de protestos e boicotes, em nome da "não-violência contra a mulher", "não-submissão da mulher" e até uma campanha para doações em prol das diversas mulheres que sofreram abuso sexual. O ato, como campanha, é maravilhoso. Como boicote ao filme, só prova como a população ainda se mantém na confortável ignorância, das quais tem preguiça de sair.

Várias questões passaram pela minha cabeça ao ler tal notícia: "Mas essas pessoas já leram os livros? ... Mas para se fazer uma doação é necessário boicotar um filme? Aliás, precisa esperar lançar um filme desses para ser ter a ideia?". Isso me desanima. Parece hipocrisia. Parece um aproveitamento mascarado em uma grande causa. E ainda imagino, quantos que ali comentaram já não fizeram coisas piores, seja em sexo ou violência (física ou verbal), com maridos, esposas, pais, mães, irmãos e amigos. Afinal, somos seres humanos e imperfeitos.

Porém, o desconhecimento sobre a história e sobre a própria lei é tão exacerbadamente exposto que chega a ser preocupante. Todos sabemos que o povo brasileiro não é conhecido pelo hábito da leitura, o que se pode deduzir que 90% daquelas pessoas se quer chegaram perto do livro para conhecer a história. Outros 5%, composto pela maioria de mulheres, leu o primeiro volume - o mais carregado de sadomasoquismo dos três títulos (claro, a mocinha está conhecendo este universo e está sendo apresentado para ela) e logo concluíram que a história é irreal, louca, com muito sexo, abusiva, obsessiva. E os outros 5% foi o grupo que leu tudo até o fim. Logo, esta é a nossa realidade unida à 'liberdade de expressão' presente nas redes sociais: todos comentam sem conhecer (às vezes até sem ler a notícia). Para quem não acredita, posso afirmar - como alguém que leu - que a história envolve um grande conflito psicológico e amor (sim, sim, sim!) .... Afinal, muitos frequentam as baladas, "pegam todas", tem uma noite de puro sexo (sem camisinha talvez) e obviamente isso é aceitável. Mas se for uma garota inocente com um relacionamento amoroso, firme e sério, é abominável ela aceitar ser submissa.

Aliás, isto abre mais uma discussão a respeito de desconhecimentos. Abuso sexual é a prática de atos sexuais com menores, incapazes ou capaz que se encontra inconsciente ou sem poder resistir. Em outras palavras, nada que seja retratado no filme ou no livro. Sobre a submissão, presente desde que o homem existe, ela vem sendo quebrado ao longo das décadas, o que justamente permitiu ao universo feminino ter a liberdade de escolher: a trabalhar, a votar, a profissão, a se apaixonar, a se envolver, a beijar, a fazer sexo da forma que quiser. Somos diferentes, mulheres e homens, cada um em seu momento e em sua forma de agir e pensar. Em matéria de sexo, alguns querem o romance, outros o querem sem compromisso, outros querem os fetiches, outros querem dominar, outros querem ser dominados, outros querem tudo isso. Uma vez consentido e aceito, não é abuso, nem violência.

E me pergunto qual é o problema de uma mulher dominar um homem? Ele é menos homem por isso? Ou um homem dominar uma mulher? Isso a torna sua escrava? Me pergunto, qual é o problema da humanidade? Chegamos ao ponto de interferir nas escolhas de todos em relação àquilo que pertence somente a cada um. E o que de fato é de todos - a própria violência, as drogas, a educação, a saúde, o meio ambiente, a corrupção - continua a ser o que sempre foi.

Aproveite e confira as resenhas sobre a trilogia: volume 1, volume 2 e volume 3.


Porque não ler os livros abaixo?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Não é uma crítica, por isso, vou ser menos formal e mais direta.

Estes não vão entrar na lista dos #FicaaDica



A Ruiva Misteriosa, Alice Calyton – Aparentemente uma história bacana, foi uma das minhas últimas aquisições da Bienal. Na onda de eu também estar ruiva, foi meio por impulso e por isso, aprendam leitores: nunca comprem nada por impulso! Dificilmente temos a sorte de ler uma boa história. Alice Clayton tentou fazer um mix de Cinquenta Tons de Cinza com Qual o Seu Número? e o resultado foi algo decepcionante. São muitas passagens sobre sexo e palavras de baixo calão (está na moda fazer isso agora) desnecessárias e constantes, além de personagens supérfluos, totalmente sem bom senso nas ações e usos de palavras. Não há profundidade neles, nem emoção na história. Entrou para a lista dos meus “Abandonados”.

As Vantagens de Ser Invísivel, Sthepen Chbosky – Outro que parecia ter uma história legal e para minha surpresa: Nossa! Que monótomo! Cansativo, bem adolescente (ou seria aborrescente?), um enredo típico de filme americano (drogas então, nem se fala). Lembrou-me o filme “American Pie” no grau de “coisas idiotas”. Não perca seu tempo nesta leitura.

E a maior enganação da literatura atualmente:


A Menina que Não Sabia Ler, John Harding – E por qual motivo digo que é a maior enganação da literatura? O livro, com uma menina deitada lendo um título qualquer e o nome, nada tem haver com a capa e nome originais. Pesquise na internet e verá. Aquela é a verdadeira “face” de A Menina que Não Sabia Ler. Se você pensa em algo inocente, desista. Esta é simplesmente, uma história que envolve suspense, terror e psicopatas. Até no começo do livro, nas primeiras 100 páginas, tudo vai indo conforme a falsa capa e a partir daí você descobre o verdadeiro lado sombrio. O enredo mudou da água para o vinho! As coisas ficam sem conexão e você se sente em alto mar, sem entender o motivo daquela mudança repentina. Então eu fui pesquisar e descobri que o autor se baseia muito em Edgar Allan Poe (o “gênio” do terror). Além disso, encontrei vários depoimentos de pessoas que se queixaram da mesma coisa, dos pontos soltos que ficam na história e também de medo. Bem, este não é o meu estilo de leitura. Não gosto dessas coisas porque acredito que em tudo neste mundo há um fundo de verdade. Por isso, me senti enganada! Ficou óbvio que quiseram aproveitar o sucesso de A Menina que Roubava Livros e embarcar nessa onda de lançamentos de meninas inocentes com um cenário tenebroso. Pesquisem antes, sempre!

Crítica: O Jogo Perfeito e Virando o Jogo

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O Jogo Perfeito é o primeiro volume de uma trilogia da escritora J. Sterling, publicado pela Faro Editorial (Sim, mais uma novinha no mercado pra gente se derreter em leitura!), que conta a história de Cassie Andrews, uma universitária que se apaixona pelo jogador de beisebol do colégio - e também babaca -, Jack Carter. 
De início, a sinopse é um tanto fraca: mais uma história de amor clichê sobre a garota legal que fica encantada com os olhares e músculos do garoto pegador e garanhão. É verdade, muita dosagem adolescente em um único livro. Mas nem por isso deixa de ser bom. O linguajar é bem simples, fácil de entender, com direito até a algumas palavras de baixo calão (porém não muitas, então é possível relevar). 
O mais interessante em todo o enredo na verdade são as conversas de Cassie e Jack, onde muitas vezes 'curtimos com os olhos' as provocações e a determinação de cada um em se distanciar ou ficar perto um do outro. Algumas passagens chegam a ser engraçadas e claro, em outras, você se envolve tanto com o livro que quer matar Jack Carter! E é isso que o torna bom.
Quando um livro consegue trazer você para dentro da história, ele cumpre o seu papel - e se você permanecer nele até mesmo nos seus pensamentos do dia a dia ou nos seus sonhos durante a noite, então ele é fantástico! O Jogo Perfeito e o segundo volume Virando o Jogo, conseguem fazer com que o leitor fique na história pelo menos quando está lendo e se envolver de maneira física e mental com cada um dos personagens. Confesso que não é do meu gosto as narrações de sexo usadas pela autora - Ninguém ainda bateu Diários de Uma Paixão neste quesito - que inventou um Crepúsculo misturado com uma pitadinha de Cinquenta Tons de Cinza. 

Os livros são ideais para casais que estão começando um relacionamento e que se encontram naquele momento de estabelecer a confiança e tornar a brincadeira em algo sério. Qualquer adolescente vai gostar da história, se envolver e pensar se ela vai pelo mesmo caminho. Apesar das cenas de sexo e de um certo palavreado, é um livro leve que você consegue devorar em poucos dias.
Mas, certamente não é o tipo de livro que pessoas mais velhas, com relacionamentos mais duradouros, estariam interessadas em folhear. Por isso, pense bem na sua escolha. Eu ainda estou ansiosa para saber o final ;)

Crítica: A Culpa é das Estrelas


Se você está psicologicamente preparado para suportar histórias tristes e personagens extremamente humanos com todos os seus defeitos, certamente vai querer ler A Culpa é das Estrelas. Não se tem falado de outro título que não seja este, principalmente após o lançamento do filme nos cinemas de todo o mundo. No entanto, há ressalvas. E muitas ressalvas.
A principal questão é: Porque este foi um livro que permaneceu no Top 5 dos mais vendidos, em mídia e publicidade, com uma história tão simples e com personagens tão vazios? Sim, o câncer, tema central que orbita em torno de Hazel, Augustus, Isaac e tantos outros, é um estado degenerativo-deprimente, que nos faz chorar em algumas páginas, pensando em como a vida é injusta com as pessoas.
No entanto, desde o primeiro momento, apesar da emoção com a história, não fui nem um pouco simpática a Hazel e preferi colocar minha fé de aquilo iria melhorar. Mas não melhorou. Talvez esse tenha sido mesmo o objetivo de John Green, pois assim, ele mostra ao mundo algo mais realista e que contraria o que pensamos desse universo de doenças terminais.
Hazel é uma personagem egoísta e fraca - isso mesmo! Vive em suas lamentações, se achando a pior vítima do mundo por não ter os pulmões normais e 'critica' a postura das pessoas ao seu redor (isto inclui o pai, a mãe e o Grupo de Apoio) que tentam lhe ajudar da maneira que elas entendem como sendo o melhor. Não há uma coisa positiva nos pensamentos ou dizeres de Hazel. Nem mesmo quando o namorado Augustus usa o seu Desejo para realizar uma grande sonho dela! A frieza da personagem é algo que vai além das suas características mentais, e se transporta inclusive para o relacionamento com Gus. Chega a ser algo completamente sem sal, monótono, que ocorre sem mais nem menos. Muito sem graça.
Ainda assim, é tocante, é emotivo, é triste - tudo por causa do indesejável câncer. Mas realmente, se formos parar para pensar, como será que eu seria se descobrisse algo assim? Como será que eu encararia a vida sabendo que estava morrendo? Não posso criticar o autor ou a personagem por essa postura. Não tenho isso (Graças a Deus) para saber na pele como seria. Talvez essa seja a verdade por trás daquela máscara de "tenho que ser forte", suportar a dor e a perda, continuar vivendo embora a alma peça por descanso. Deve ser algo inimaginável. Mas ainda acredito que no meio de tantas pessoas e médicos sem esperança, que existam outros milhares que realmente buscam lutar para viver um dia mais, simplesmente por acreditarem que vale a pena presenciar o sorriso de alguém que você ama ou que ama você.
Talvez, outras milhares aproveitem cada minuto, cada segundo, sem se importarem com aquilo que as destroem, apenas tentando viver. E outras milhares, que apesar de não estarem gravadas na história para serem lembradas eternamente (como Augustus sempre quis), doam cada gota de suas vidas em experiências com novos tratamentos e medicamentos, na esperança de que isso um dia possa estabelecer a cura ou pelo menos, prolongar a estadia dos futuros portadores de câncer do mundo. Para mim, John Green mostrou a verdade de muitos deles, mas ainda assim, acredito que existam os melhores, os que são mais do que isso. Positivo ou negativo, A Culpa é das Estrelas foi feito para chorar.

Crítica: Trilogia do Mago Negro (O Clã dos Magos, A Aprendiz e O Lorde Supremo)

domingo, 13 de julho de 2014
A Trilogia do Mago Negro

Se compararmos com outros autores super conhecidos e experientes, Trudi Canavan não fica muito atrás daquilo que gostamos de testemunhar nas histórias dos livros. Na Trilogia do Mago Negro, a australiana consegue misturar aventura, ação, romance e magia em três volumes generosos de páginas para encantar e prender a atenção do leitor. Parece clichê, mas não é. Aqui, a política, as leis e questões sociais como homossexualismo, estão expostos de forma sucinta e natural, sem diálogos desinteressantes, fantasiosos ou chatos. É verdade que nem tudo é tão perfeito e alguns pontos podem fazer o leitor duvidar do que digo. Mas, para uma "principiante", Canavan começou bem. 

Gostaria muito de ter tido um tempo para escrever uma resenha de cada um, mas como não foi possível, vamos lá.

No primeiro livro, O Clã dos Magos, a autora nos apresenta Sonea, uma personagem simples, sem nada de especial, e que tenta interferir no dia da Purificação da cidade de Irmadin. Os magos do Clã saem para as favelas com o princípio de "limpar" as ruas e mantém escudos protetores para impedir que os protestos dos moradores lhes atinjam. A garota então os ataca com uma pedra, que passa pelo escudo e atinge um mago. A partir deste momento, Sonea não terá mais paz. Descobrindo que possui magia, é essencial que o Clã a traga para a Universidade, afim de aprender o Controle e de convencê-la a se juntar aos demais. Basicamente, este primeiro volume mostra a difícil perseguição de Rothen e Dannyl, bem como a fuga da personagem. Confesso que, neste caso, a autora poderia diminuir a quantidade de páginas e por isso muitos leitores consideram um tanto cansativo. 

Aceitando sua condição de Maga e confiando em seu novo instrutor e amigo, Sonea se torna oficialmente parte do Clã em A Aprendiz. O livro está muito focado em demonstrar a adaptação complicada e o bullying sofrido por ela com os demais aprendizes por ser da favela. As emboscadas armadas por Regin são de dar nos nervos, literalmente. A maldade, frieza e crueldade chegam ao ponto de quase matá-la e no fundo o leitor fica ávido pela vingança de Sonea. Impossível não vibrar quando ela escuta os conselhos de Dorrien e desafia Regin para uma luta oficial na Arena. Aliás, é aqui pela primeira vez que vemos um romance, leve passageiro, rápido. 

Mas paralelamente a tudo isso, os fatores políticos e os mistérios surgem como uma nuvem de fumaça. Diálogos de prender a respiração, revelações e segredos fazem da leitura um verdadeiro mar a ser explorado e em cada linha descobrimos algo, uma informação que havia passado despercebida (e que agora começa a fazer sentido). Tudo vai culminar para o terrível acontecimento da Magia Negra. Nessa altura, Sonea já descobriu a verdade sobre Akkarin, O Lorde Supremo do Clã e está infeliz como sua refém. No momento em que isto acontece, você imediatamente odeia o personagem mais poderoso do Clã e deseja imensamente que ele pague cada minuto de dor e sofrimento. Um jovem homem frio, cheio de sorrisos tortos e irônicos, que "mete medo" em qualquer um e é praticamente de Magia Negra (a maior proibição de todo o Clã). Saber que os misteriosos assassinatos que ocorrem na cidade tem alguma relação com a Akkarin fazem o leitor colocá-lo em sua lista de vilões que queremos dar um fim rápido. E então surge a Invasão Ichani, para colocar à prova tudo que Sonea mais prezava, inclusive, do que é certo e do que é errado. 

O mais interessante nesta trilogia é que tudo não passa de uma enganação, como se uma magia de ilusão tivesse sido colocada sob seus olhos. De uma hora para outra, você passa a amar aqueles que detestou. Acredite, você vai "amar" e "chorar" por Akkarin e vai se "apaixonar" pelo modo curioso e carinhoso de que a autora trata a relação homossexual. Em meu caso, gostaria de poder expor as minhas críticas ao casal - para mim, não fez o menor sentido esta mudança radical - no entanto, estaria revelando um grande spoiler e este não é o objetivo.

Ficará surpreso com o que acontece no final, talvez, não como você imaginava e pode inclusive, não aprovar o desfecho - eu mesma teria feito de outra forma. Mas, gostando ou não, cada minuto de leitura valeu a pena, pois ela consegue despertar todos os tipos de emoções e sentimentos, conseguimos vibrar com cada imaginação. Para ser sincera, não sentia nada parecido desde que li As Crônicas de Gelo e Fogo no começo do ano passado e estava com saudades de, a cada leitura, fechar o livro e dizer "Aiiiii não acredito! Não pode ser!.... Quero ler mais um capítulo!". 


Crítica: "Capitão América 2: O Soldado Invernal"

domingo, 20 de abril de 2014


Capitão América 2: O Soldado Invernal já chegou com muito alarde na imprensa brasileira, cheio de expectativas que de acordo com os críticos de cinema, foram atendidas. E isso não é por menos. O lado cômico que costuma ser presente em todos os filmes da Marvel foi deixado de lado, salvo em raros momentos de ironia que são bem usados pelos personagens. Isto, claro, não compromete em nada a estrutura do longa, que ficou muito bem montada em cenas de ação e lutas de tirar o fôlego. Era o que a história se propunha a fazer e a produção seguiu as regras. 
No entanto, existem alguns pequenos detalhes que talvez devessem ser explicados em outros tempos ou ainda, coisas inexplicáveis como o fato da Viúva Negra dar em cima de todo mundo que aparece. Vamos esclarecer: em Os Vingadores ela dá muito "papo" para o Gavião Arqueiro (isso para não contar as gracinhas com os bandidos, mas vamos relevar esta parte) e agora, a personagem vai com toda a artilharia no Capitão América. Estão transformando a única mulher 'heroína' em uma pessoa durona, insensível e incrivelmente sedutora para não dizer outra palavra. 
Também não há sentido o nome do filme ser "O Soldado Invernal", pois além dele quase não ter falas nas mais de duas horas de duração, é apenas usado como um pano de fundo para uma história ainda mais complexa que se desenrola com naturalidade e muita perspicácia. Ou seja, ele nunca foi e nem será a peça chave de Capitão América 2. Serve para um novo filme, uma outra continuação, mas não aqui. 
O público vai poder acompanhar mais sobre a S.H.I.E.L.D, sobre a HIDRA, e funciona como uma grande ligação de incentivo para acompanhar a série "Agents of S.H.I.E.L.D", que também utilizou o mesmo enredo do filme nos seus episódios, sem dar spoilers com exceção de apenas uma única informação. Em outras palavras, um "bem bolado" que dá certo.
Mas isto são apenas detalhes irrisórios perto da grande produção que fizeram e o filme é, de longe, o melhor dos heróis Marvel desde Homem de Ferro 3 e Thor 2, que não agradaram tanto. Por último e não menos importante, Chris Evans vestiu a camisa e atua de forma impecável...impecavelmente delirante. Apesar de sabermos que tudo não passa de bombas e efeitos cinematográficos, o ator vai arrancar suspiros nas telonas, pois está em forma, galante e um 'senhor' a lá moda antiga. Apaixonante o suficiente para fazer qualquer garota ou mulher sair das salas de cinema pronta para sonhar. 


Fica a dica: #Leitura Os Cães Nunca Deixam de Amar

segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Divulgação
É realmente muito estranho quando algumas pessoas não conseguem compreender porque alguém faria tantas coisas por seu cachorro maluco. Pior ainda, se elas não entendem o que está por trás da relação humano-animal. Em Os Cães Nunca Deixam de Amar, de Teresa Rhyne, a história não deixa de abordar o tema.
Como se já não bastassem seus problemas pessoais, de relacionamento e de família, Teresa precisa aprender a conviver com mais uma luta: a de que seu beagle Seamus tem câncer - e este é apenas o primeiro ponto de partida. Existem livros que valem a pena para avaliar, colocar uma crítica. E outros que são feitos apenas para saborear e indicar a um amigo. Este é o tipo de leitura que conquista, agrada e deixa o público à vontade para dizer  “amiga, leia este aqui”.
Serve para qualquer momento da vida: os alegres, difíceis, depressivos, eufóricos, conturbados, recheado de emoções. Se você pretende se distrair dos problemas, leia e chegue à conclusão que os seus problemas não são nada perto do que a personagem principal vai passar. Por outro lado, se está satisfeito, leia também para se preparar para os caminhos pedregosos que sempre chegam. Os Cães Nunca Deixam de Amar é um relato vivo, real e psicológico de como é um cão de verdade e de como ele pode ajudar a você enfrentar os seus piores pesadelos.

As experiências trocadas entre o ser humano e o seu bichinho de estimação podem ser a fonte de uma alegria imensa, a salvação de uma grave doença. Como eles, cheios de suas gracinhas, na solidão ou no momento crucial, fazem toda a diferença. Coitado daqueles que não sabem amar um cachorro! Desperdiçam a chance de viver com muitas histórias para contar. Desperdiçam o  mais puro laço de harmonia e amor que pode existir. Um cão ama seu dono independendo de como ele é, de quem ele é, sem ligar para estereótipos que a sociedade põe no pedestal. Emoção, risadas (sim, boas risadas!) e superação estão contidas no enredo para inspirar os leitores mais assíduos das páginas, bem como aqueles que nunca quiseram saber de um livro. Leia e desfrute!